Papa pede paz enquanto EUA e Irã iniciam negociações no Paquistão

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O apelo enfático do papa a favor do fim dos combates ganhou destaque neste sábado (11), dia em que as principais autoridades dos Estados Unidos e do Irã se reuniam no Paquistão para discutir uma saída a um conflito que já dura seis semanas.

Durante uma vigília especial de oração na Basílica de São Pedro, o pontífice dirigiu-se de forma direta aos chefes de Estado presentes no cenário internacional.

“Parem! É hora da paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearmamento”

A mensagem foi proferida pelo primeiro papa norte-americano, que na cerimônia condenou o recurso ao discurso religioso para legitimar iniciativas militares.

Em tom expressivo, o líder católico evocou também relatos pessoais para ilustrar as consequências humanas do confronto.

“horror e desumanidade”

Segundo o papa, cartas enviadas por crianças em zonas afetadas pelo conflito traziam descrições que confirmam, em sua avaliação, a dimensão trágica da violência.

Ao remeter a posições anteriores da Igreja, ele recordou episódios do passado e lembrou a postura contrária da instituição a intervenções militares de grande escala.

“Chega da idolatria do eu e do dinheiro! Chega de exibição de poder! Chega de guerra!”

O papa citou ainda o apelo feito pelo falecido papa João Paulo II quatro dias antes do início da invasão do Iraque em 2003, como parte do enquadramento histórico de seu posicionamento.

No fim de março, em outra ocasião citada na vigília, o pontífice já havia criticado líderes que participam de conflitos.

“Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as “mãos cheias de sangue””

Comentadores católicos conservadores interpretaram declarações anteriores do papa como dirigidas ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, figura que passou a invocar linguagem cristã para justificar ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.

Contexto das negociações

O encontro no Paquistão entre representantes norte-americanos e iranianos ocorre em meio a tentativas diplomáticas de encerrar hostilidades e abrir canais de mediação, com a comunidade internacional acompanhando os desdobramentos.

O serviço especial de oração realizado na Basílica de São Pedro havia sido anunciado pelo papa no último domingo, na mensagem de Páscoa, e foi concebido como um momento público de apelo à reconciliação entre nações.

Repercussões e quadro imediato

As declarações do pontífice alimentaram debate sobre o papel da religião no argumento público para a guerra e geraram reações diversas entre setores religiosos e políticos, enquanto as delegações em Islamabad tentam avançar em negociações de paz.

O texto do papa e a coincidência temporal entre o apelo e a reunião diplomática mantêm o tema em evidência nas agendas internacionais sem que, até o momento, haja confirmação pública de termos concretos acordados entre as partes.

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