Lula anuncia inclusão de inadimplentes do FIES em pacote contra endividamento
Na inauguração da nova unidade do Instituto Federal de São Paulo em Sorocaba o presidente abordou a situação dos alunos com dívidas contraídas pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.
“Está aumentando o endividamento dos meninos do FIES. E nós vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento. A gente não pode tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”
O chefe do Executivo não apontou, no entanto, os detalhes do mecanismo de renegociação que será aplicado aos contratos em atraso.
Ao relacionar a inclusão dos estudantes ao esforço do governo contra o endividamento, o presidente destacou a perspectiva de retorno econômico e social da formação superior.
“Ele [o estudante] vai pagar a dívida dele sendo um profissional competente, porque se ele for um profissional competente, ele vai melhorar a qualidade produtiva do nosso país”
De acordo com dados do Ministério da Educação MEC, de outubro de 2025, 160 mil estudantes têm parcelas em atraso no FIES, o que representa R$ 1,8 bilhão em saldo devedor.
Durante o discurso, o presidente reafirmou a visão de que os gastos públicos com ensino devem ser compreendidos como investimento para o desenvolvimento nacional.
“Ninguém tirará de mim a convicção de que não existe outra saída para que o Brasil se defina como um país altamente desenvolvido do ponto de vista democrático, do ponto de vista civilizatório, do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista econômico, a não ser fazer investimento na educação”
Na sequência o presidente comparou os custos anuais de manutenção de um preso e de um estudante, como argumento a favor da ampliação de recursos para a educação.
“Um prisioneiro, no presídio federal de segurança máxima, custa R$ 40 mil reais por ano. Nas outras cadeias, R$ 35 mil reais por ano. Um estudante, no Instituto Federal, custa 16 mil reais por ano, ou seja, metade do que custa um bandido”
Em tom crítico sobre prioridades orçamentárias, ele completou com outra afirmação curta e direta.
“A gente investe em bandido quando a gente não investe na educação”
Além das críticas, o presidente sugeriu um uso direcionado de recursos parlamentares para acelerar a construção de escolas em todo o país.
“Vamos supor que cada deputado tenha R$ 40 milhões por ano de emenda. Cada deputado e cada senador. Imagina se todos eles assumirem a responsabilidade de financiar a construção de uma escola. São 513 deputados, são 513 escolas. São 81 senadores, são 81 escolas. Resolvemos o problema da educação”
No encerramento do pronunciamento houve ainda um comentário em tom de brincadeira dirigido ao presidente dos Estados Unidos, seguido de reafirmação do compromisso com a paz.
“Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, ele não brincaria com o Brasil”
“De qualquer forma, nós não queremos guerra. Nós queremos paz. Nós queremos ter acesso à cultura, passear, estudar, namorar, brincar. Quem quiser guerra, vá para o outro lado do planeta, porque aqui nós somos a terra de paz e do amor”
A nova unidade do IFSP foi viabilizada por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento e teve obras iniciadas em 2024. As instalações ocupam 4,6 mil metros quadrados de área construída e foram projetadas para oferecer estrutura completa para o ensino técnico e tecnológico, incluindo blocos de salas de aula, laboratórios do tipo oficina e bloco administrativo.
O pronunciamento ocorreu nesta sexta-feira durante a cerimônia de inauguração em Sorocaba SP, onde o presidente articulou o pacote de medidas contra o endividamento com a agenda de investimentos em educação.

