Israel segue bombardeios no Líbano mesmo após acordo de cessar-fogo

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quarta-feira, a Força de Defesa de Israel manteve ataques contra alvos no Líbano, incluindo pontos na capital Beirute, apesar do anúncio de um cessar-fogo de duas semanas intermediado pelo Irã e pelos Estados Unidos.

A ofensiva em curso tem potencial para afetar as negociações entre Teerã e Washington, previstas para começar na sexta-feira em Islamabad, porque o Irã incluiu entre seus dez pontos para discussão o fim da guerra em todas as frentes no Oriente Médio, com menção expressa ao Líbano e à Faixa de Gaza.

A Força de Defesa de Israel informou que realizou “o maior ataque” em todo o Líbano desde o dia 2 de março, atingindo mais de 100 alvos.

A FDI comunicou também que “Há pouco tempo, as Forças de Defesa de Israel concluíram ampla onda de ataques contra centros de comando e instalações militares do Hezbollah em Beirute, Beqaa e no sul do Líbano”.

A Agência Nacional de Notícias do Líbano registrou diversos ataques em várias regiões do país, com incidência no Sul, e relatou que um drone atingiu um veículo em Qasmiyeh com feridos, outro drone atingiu uma motocicleta em Kfardounin também causando ferimentos, e que aviões de guerra atacaram a cidade de Sawaneh no distrito de Marjayoun, segundo o veículo oficial do governo libanês.

Vítimas e deslocamentos

De acordo com informações do Ministério da Saúde do Líbano, a fase atual do conflito, iniciada em 2 de março, matou mais de 1,5 mil pessoas e feriu cerca de 4,8 mil. O ministério contabiliza ainda o bombardeio de 93 unidades de saúde e o assassinato de 57 profissionais da área.

As hostilidades forçaram o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas de suas residências desde o início da escalada, conforme os números oficiais libaneses.

Objetivos militares e respostas

O governo de Tel Aviv declarou a intenção de avançar e ocupar território libanês até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira atual, medida que suscitou acusações de possível anexação definitiva, em paralelo ao precedente das Colinas de Golã na Síria, anexadas por decisão do Parlamento de Israel e reconhecidas pelo governo de Donald Trump, ainda que rejeitadas por grande parte da comunidade internacional.

O Chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, comunicou sobre a condução das operações e afirmou que “Aproveitaremos todas as oportunidades operacionais. Não comprometeremos a segurança dos moradores do norte de Israel. Continuaremos atacando com determinação”.

Analistas consultados informaram que o Hezbollah parece ter conseguido frear avanços do Exército israelense por meio de ataques com drones e mísseis, e o grupo chegou a anunciar a destruição de mais de 100 tanques israelenses.

O Hezbollah não reivindicou novos ataques desde o anúncio do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, e o grupo pediu em comunicado que as populações deslocadas não retornem imediatamente aos seus bairros e vilas antes do anúncio definitivo do cessar-fogo

Em mensagem oficial, o Hezbollah afirmou que “Este inimigo traiçoeiro e bárbaro, procurando escapar à imagem da sua derrota, poderá recorrer a tentativas traiçoeiras para criar a falsa impressão de ter alcançado uma vitória que não conseguiu obter no campo de batalha”.

O atual ciclo de bombardeios do Estado de Israel contra o Líbano se intensificou com a abertura do conflito no Irã, após o Hezbollah ter retomado ataques contra Israel em 2 de março, em retaliação a ofensivas israelenses no Líbano nos meses anteriores e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

O Hezbollah surgiu na década de 1980 em reação à invasão e ocupação israelense do Líbano e venceu a retirada das tropas israelenses em 2000. Ao longo das décadas seguintes, o movimento evoluiu para um partido político com assentos no Parlamento libanês e participação em governos.

Em novembro de 2024 foi costurado um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu após a morte de lideranças do grupo, mas Israel manteve ataques e bombardeios pontuais no Líbano mesmo depois desse acordo, alegando que mirava infraestrutura do Hezbollah.

Observadores apontam que a continuidade das operações israelenses no Líbano corre o risco de complicar a agenda diplomática em Islamabad e de ampliar as consequências humanitárias na região.

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