Irã ameaça romper cessar-fogo e anuncia retaliação após ataques israelenses ao Líbano
O Irã advertiu que pode abandonar o cessar-fogo e retaliar contra Israel depois de sucessivos bombardeios contra o Líbano nesta quarta-feira, 8, ação que, segundo autoridades iranianas, configura violação do acordo temporário negociado na semana passada.
A mídia estatal iraniana Press TV reproduziu a avaliação de um alto funcionário de segurança sobre a escalada das hostilidades. “O Irã pode se levantar em uma ofensiva de defesa em grande escala a qualquer momento, já que o regime israelense está recorrendo à violação de um cessar-fogo frágil e temporário, alertou um alto funcionário da segurança”
Ameaças à rota petrolífera e movimentos estratégicos
O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, defendeu medidas imediatas que atinjam rotas marítimas estratégicas, numa indicação clara de pressão econômica e logística contra os países que apoiam Tel Aviv.
“Em resposta à invasão selvagem dos sionistas ao Líbano, agora mesmo deve-se parar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Os libaneses deram suas vidas por nós, e não devemos deixá-los sozinhos nem por um momento. Cessar-fogo ou em todas as frentes ou em nenhuma frente”
Em paralelo, as Forças Armadas do Irã anunciaram que manterão controle “inteligente” sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás mundial, sem detalhar as medidas que seriam aplicadas.
A reabertura do Estreito de Ormuz por duas semanas figurou entre as condições colocadas para o cessar-fogo negociado entre o Irã e os Estados Unidos, acordo agora ameaçado pelo novo episódio de violência.
Ataques em solo libanês e impacto humanitário
Em Tel Aviv, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou apoio ao acordo entre EUA e Irã, mas afirmou que o Líbano não integraria o cessar-fogo, enquanto as Forças de Defesa de Israel relataram ter atingido 100 alvos em dez minutos no sul do Líbano e em Beirute.
O Ministério da Saúde do Líbano divulgou um balanço preliminar sobre os ataques, descrevendo as consequências diretas para civis. “dezenas de mortes e centenas de feridos”
Imagens que circulam nos meios de comunicação do país vizinho mostram prédios destruídos no centro da capital, e o grupo Hezbollah orientou pessoas deslocadas a não retornarem às suas casas até que um cessar-fogo seja formalmente declarado no Líbano.
O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam reagiu às operações aéreas contra áreas residenciais e densamente povoadas, registrando a crítica do governo ao comportamento de Israel nas redes sociais. “[Israel não se importa] com todos os esforços regionais e internacionais para deter a guerra, não obstante o desprezo total pelos princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário, que nunca respeitou de fato”
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador do frágil cessar-fogo entre Irã e EUA, alertou para o risco de retrocesso no processo de paz e pediu contenção às partes envolvidas.
“Eu apelo sinceramente e com toda a seriedade a todas as partes para que exerçam moderação e respeitem o cessar-fogo por duas semanas, conforme acordado, para que a diplomacia possa assumir um papel de liderança rumo a uma solução pacífica para o conflito”
Autoridades de saúde do Líbano estimaram que a fase atual do confronto, iniciada em 2 de março, causou mais de 1,5 mil mortes e deixou cerca de 4,8 mil feridos, além de ter provocado o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.
Segundo levantamento oficial, as ações militares israelenses atingiram 93 unidades de saúde no Líbano e resultaram no assassinato de 57 profissionais de saúde, dados que reforçam a gravidade do impacto sobre a infraestrutura e os serviços essenciais.
Fontes iranianas pediram a intervenção de países mediadores para conter a escalada, destacando a exigência de que qualquer cessar-fogo inclua todas as frentes de batalha, tanto o Líbano quanto a Faixa de Gaza, afetadas por ataques israelenses nos últimos 40 dias de conflito no Oriente Médio.

