Irã retalia e atinge complexo petroquímico saudita em nova escalada
O Irã informou ter atingido com sucesso o complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, medida que a Guarda Revolucionária Islâmica disse marcar o fim da contenção que vinha sendo exercida na escolha de alvos, com potencial para aprofundar a crise no mercado global de energia.
Em comunicado a autoridade militar acrescentou que mudará o modo de agir contra as infraestruturas dos Estados Unidos e de seus parceiros e que pretende privar esses países do petróleo e do gás da região por um período prolongado. “Vamos lidar com a infraestrutura dos Estados Unidos e de seus parceiros de tal forma que os Estados Unidos e seus aliados fiquem privados do petróleo e gás da região por anos”
A mesma nota da Guarda Revolucionária ressaltou que, até então, a república islâmica havia restringido deliberadamente a seleção de alvos por razões de vizinhança e prudência. “Os parceiros regionais dos EUA também devem saber que, até hoje, por uma questão de boa vizinhança, exercemos imensa contenção e mantivemos considerações na seleção de alvos para retaliação, mas, a partir de agora, todas essas considerações foram eliminadas”
Além do complexo de Jubail, a IRGC afirmou ter atacado o polo petroquímico de Ju’aymah e um navio porta-contêineres de Israel que tentava utilizar o porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, classificação que o país reivindicou como advertência. “A destruição deste navio serve como um alerta severo para qualquer embarcação que tente cooperar com o regime sionista [Israel] e os Estados Unidos de qualquer forma”
Conforme divulgado pela Guarda Revolucionária, as instalações atingidas na Arábia Saudita teriam participação de empresas estadunidenses, citando as companhias Sadara, ExxonMobil e Dow Chemical, e a juíza Ju’aymah foi vinculada à Chevron Phillips nas alegações iranianas. A Arábia Saudita não se manifestou sobre os ataques ou sobre sua extensão.
Confrontos prévios e ofensivas conjuntas
Horas antes das retaliações iranianas, Tel-Aviv atingiu duas vezes o complexo petroquímico de Shiraz, conhecido pela produção de fertilizantes, que Israel disse ser utilizado na fabricação de ácido nítrico para explosivos, e atacou outra unidade na província de Bushehr. A Companhia Nacional de Petroquímica do Irã informou que investiga os danos nas instalações.
Fontes anônimas do Exército dos Estados Unidos disseram à Reuters e ao portal Axios que Washington também conduziu ataques à ilha de Khang, ponto de concentração de cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo e gás, ação não confirmada oficialmente por Teerã. Em paralelo, Israel comunicou que vai bombardear linhas férreas no Irã, ampliando a pressão sobre a logística do país.
Repercussões diplomáticas e ameaças
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou um ultimato já emitido e proferiu uma ameaça que ganhou destaque nas redes e em comunicados oficiais. “toda uma civilização vai morrer essa noite”
Relatos oficiais também mencionam a possibilidade de um crime de guerra de grandes proporções apontado contra um país de cerca de 90 milhões de habitantes, conforme divulgado por autoridades e documentação citada no noticiário internacional.
A sequência de ataques do Irã faz parte, segundo a própria Guarda Revolucionária, da 99ª onda desde o início da agressão sofrida por Teerã em 28 de fevereiro, e o governo iraniano tem ampliado a lista de alvos militares e infraestruturais relacionados a parceiros dos Estados Unidos e de Israel.
O impacto humano no Irã já é considerado grave por organizações de direitos humanos que monitoram o conflito. Conforme dados da Agência de Direitos Humanos do Irã, HRANA, 109 pessoas foram mortas nas 24 horas encerradas na segunda-feira, dia 6, e houve 573 ataques em 20 províncias durante esse período.
Desde 28 de fevereiro, a HRANA contabiliza 1,6 mil civis mortos, incluindo 248 crianças, além de 1,2 mil militares; outros 711 óbitos não tiveram o status civil ou militar identificado, segundo as informações divulgadas pela agência vinculada a ativistas opositores.
A soma dos ataques às instalações petroquímicas e às rotas de exportação acrescenta um elemento de risco à oferta mundial de energia e pode aprofundar distúrbios nos mercados, avaliando-se a importância global dos complexos afetados e a concentração de infraestrutura na região.
As ações e as reivindicações de autoria permanecem em caráter internacionalmente contestado com efeitos diretos sobre atores regionais e empresas multinacionais que, segundo o Irã, participam dos complexos atacados, enquanto investigações e confirmações oficiais ainda são aguardadas pelas autoridades envolvidas e pela comunidade internacional.

