Sarampo preocupa autoridades e leva Brasil a alerta máximo

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O Brasil elevou o nível de atenção por causa de surtos de sarampo em outros países do continente e pela confirmação, na semana passada, do primeiro caso de 2026 no território nacional. Trata-se de uma bebê de seis meses que contraiu a infecção durante viagem à Bolívia, hoje afetada por um surto.

O quadro regional preocupa pelas cifras recentes. No ano anterior foram notificados 14.891 casos em 14 países das Américas, com 29 óbitos. Em 2026, até 5 de março, foram 7.145 infecções confirmadas na região. No Brasil, em 2025, 38 casos foram confirmados, mas ainda não há transmissão sustentada que coloque em risco a certificação de área livre da doença reconquistada em 2024.

Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações, ressalta a necessidade de manter vigilância e ações contínuas antes de expor as medidas implementadas. “Por conta do cenário internacional, o Ministério [da Saúde] está em alerta máximo. Nós vamos manter essa certificação, mas, para isso, a gente precisa continuar vacinando a população e alertando que a vacina é a principal prevenção, além de promover ações específicas em locais que estão com a cobertura mais baixa”

Resposta imediata e bloqueio vacinal

As rotinas de investigação e reação a suspeitas seguem protocolos que combinam notificação local, bloqueio vacinal e busca ativa. Para detalhar como isso ocorre as autoridades descrevem os passos adotados pela vigilância.

“Pegando como exemplo esse caso confirmado, quando o município fez a identificação da suspeita, prontamente notificou o Ministério e já começou o bloqueio vacinal. Ou seja, levantou todas as pessoas que tiveram contato com o possível doente para identificar outros sintomáticos e eventuais fontes da infecção. Aí, bloqueia-se todo mundo, aplicando a vacina”

Após o bloqueio, uma força tarefa realiza busca ativa de casos no entorno da residência do possível infectado, vacinando preventivamente esses contatos. Profissionais também fazem varredura em laboratórios e unidades de saúde em busca de pessoas com sintomas que não tenham sido notificadas.

Quando a suspeita é descartada por exames laboratoriais os esforços são encerrados. Se a infecção for confirmada, o paciente e a comunidade permanecem sob monitoramento por três meses até que seja declarado oficialmente o fim da ocorrência.

Vacinação, dados e desafios

O calendário do Sistema Único de Saúde prevê duas doses contra o sarampo. A primeira aos 12 meses como componente da vacina tríplice viral e a segunda aos 15 meses com a tetraviral. Bebês entre seis meses e um ano que tiveram contato com caso suspeito recebem a chamada dose zero, mas devem receber posteriormente as duas doses nas idades recomendadas.

No ano passado 92,5% dos bebês tomaram a primeira dose, porém apenas 77,9% completaram o esquema na idade correta. Todas as pessoas com até 59 anos sem comprovação das duas doses são orientadas a se imunizar.

Em termos de notificações, foram registradas 3.818 suspeitas em 2025. Até 26 de janeiro de 2026, data da última atualização do painel do Ministério da Saúde, haviam sido 27 suspeitas no país.

Além da intensificação da vacinação em áreas de fronteira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária já divulga mensagens sobre a importância da imunização em aeroportos e portos. A circulação internacional prevista para a Copa do Mundo, em junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá, é apontada como fator de risco para a disseminação, dada a maior movimentação de turistas e viajantes.

Eder Gatti garante que o Brasil dispõe das ferramentas necessárias para evitar que a situação observada em outros países das Américas se repita por aqui e ressalta a necessidade de manter coberturas vacinais elevadas, especialmente em áreas turísticas e cidades gêmeas na fronteira onde a circulação de pessoas é intensa.

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