Queda nas notas de matemática do Enem reforça necessidade de novo método de estudo
A nota média de matemática no Exame Nacional do Ensino Médio de 2024 registrou uma queda para 529 pontos em comparação aos 535 do ano anterior. O recuo apontado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira reflete um problema estrutural que atinge a maioria dos concluintes da educação básica no país.
Um levantamento da organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura revela que apenas 21,4% dos alunos terminaram a escola com aprendizado adequado na disciplina em 2023. Na prática oito em cada dez estudantes não conseguem resolver problemas cotidianos envolvendo porcentagens ou situações numéricas simples.
O cenário atual carrega os impactos diretos do período de isolamento social causado pela crise sanitária mundial recente. A professora de matemática do Cursinho da Poli, Monique Covi, avalia que os vestibulandos atuais estavam no ensino fundamental em 2020 e perderam a base de conteúdos fundamentais como frações e números racionais.
A lacuna no aprendizado afeta o lado emocional dos candidatos e constrói um estigma de fracasso diante dos cálculos. Mariana Chaves, psicopedagoga na rede Kumon, explica a origem dessa insegurança e ansiedade durante a resolução das provas.
“Matemática é muito cruel nesse sentido, porque, se o resultado está errado, está errado. Não tem ali a resposta dissertativa que as disciplinas humanas têm. O estudante vai criando essa experiência de fracasso e é isso que vai causando desmotivação, ansiedade e insegurança.”
A presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, Jaqueline Mesquita, aponta que o ensino frequentemente falha ao não mostrar a aplicação dos números no dia a dia. A falta de conexão com a vida real afasta os jovens e reforça a ideia de que a matéria é excessivamente abstrata.
“Acaba, muitas vezes, sendo ensinada desconexa da realidade, como se não tivesse uma ligação com o cotidiano. Muitos estudantes, às vezes, não conseguem entender onde que eles vão usar a matemática na vida deles.”
Para reverter esse quadro e melhorar o desempenho nos vestibulares os educadores recomendam encarar a disciplina como uma nova linguagem. Os símbolos e fórmulas possuem significados universais que exigem interpretação cuidadosa do candidato durante a leitura das questões.
Uma estratégia eficiente é ignorar os enfeites das histórias contadas nos enunciados e focar apenas nas informações numéricas relevantes. Caso o problema pareça complexo demais a orientação é dar um passo atrás e revisar operações básicas como soma e multiplicação para recuperar a confiança.
A criação de um diário de erros ajuda o candidato a identificar falhas recorrentes e a entender o método correto de resolução. Com a revisão constante de edições anteriores o estudante passa a reconhecer padrões de cobrança e ganha velocidade no momento decisivo.
O sucesso nas provas exatas depende mais da constância nos estudos do que de um talento inato para os números. O trabalho diário e a orientação adequada formam a base para superar os obstáculos e alcançar a aprovação.
“O estudante que hoje está em dificuldade pode sim alcançar altas notas. A diferença entre quem consegue e quem não consegue não é o talento, é o método, é a constância, é a orientação adequada.”

