Facção que arremessava drogas em presídio é alvo de operação do Gaeco em MS
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, deflagrou nesta quarta-feira a operação Pombo Sem Asas e cumpre 35 mandados de prisão preventiva contra integrantes de uma facção criminosa com atuação nacional. A ofensiva ocorre em Campo Grande e também em endereços nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A investigação aponta que o grupo mantinha um esquema para introduzir drogas e celulares dentro do complexo penitenciário da Capital. Para viabilizar a ação, integrantes da organização pagavam propina a um servidor responsável pela vigilância externa nas torres da unidade, que permitia o lançamento de pacotes por cima dos muros do presídio.
Além das prisões, foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão domiciliar. As diligências são realizadas em vários pontos de Campo Grande e em outros estados com apoio de equipes da Polícia Militar, incluindo o Batalhão de Choque, o Batalhão de Operações Especiais e forças táticas do 1º Batalhão e da 5ª Companhia Independente.
Segundo o Gaeco, o grupo criminoso utilizava integrantes que estavam em liberdade para executar os arremessos de pacotes com entorpecentes e aparelhos celulares para dentro da unidade prisional. A logística era organizada por detentos que continuavam comandando atividades externas a partir do presídio.
A investigação também identificou a utilização de contas bancárias próprias e de terceiros para movimentação de dinheiro do tráfico de drogas e pagamento de subornos. Os valores eram usados para manter a comunicação entre internos e integrantes da facção fora do sistema prisional.
O material apreendido indica ainda que a organização mantinha articulação para envio de entorpecentes a outros estados, ampliando a atuação do grupo para além de Mato Grosso do Sul.
O inquérito que deu origem à operação começou após o compartilhamento de provas obtidas em uma investigação anterior que resultou na exclusão de um policial militar por corrupção. A partir desse material, o Gaeco identificou o funcionamento do esquema que permitia a entrada de materiais ilícitos no presídio.
O nome da operação faz referência à forma como os próprios criminosos chamavam os pacotes lançados para dentro da unidade. Os volumes eram conhecidos como “pombos” e eram arremessados manualmente ou por meio do uso de drones. A ação das autoridades busca interromper esse fluxo e enfraquecer a comunicação e o abastecimento da facção dentro do sistema penitenciário.
