Brasil é país parceiro e amplia presença industrial na Hannover Messe
O Brasil foi escolhido como país parceiro da Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá de 20 a 24 de abril em Hannover, no norte da Alemanha. O espaço reservado ao país soma 2,7 mil metros quadrados e deve reunir uma delegação formada por 300 empresas brasileiras, entre elas a fabricante de aviões Embraer e a WEG, além de quase 60 startups.
A organização do evento projeta a presença de 123 mil visitantes e cerca de 3,5 mil expositores vindos de 60 países. Empresas globais como Amazon Web Services, Bosch, Siemens, SAP, Microsoft, Huawei e Accenture estão previstas na programação, que inclui demonstrações em inteligência artificial, robótica, automação, digitalização, defesa e descarbonização com incentivo à energia limpa.
A participação do Brasil marca a segunda vez em que o país assume o papel de nação parceira desde que a prática começou em 1980, e terá representação de 140 expositores brasileiros distribuídos por mais de dez pavilhões onde serão promovidas trocas técnicas e oportunidades comerciais.
A ApexBrasil foi responsável pela curadoria e pela estruturação da presença brasileira, oferecendo capacitação especialmente voltada a pequenos negócios e providenciando infraestrutura para os estandes. Um dos pavilhões brasileiros reunirá 30 empresas dedicadas a energias renováveis, biocombustíveis e eletrificação.
Alex Figueiredo, diretor de operações da ApexBrasil Europa, colocou a feira como instrumento de alteração da percepção internacional sobre o país. “É uma grande oportunidade de mostrar esse outro lado do Brasil, um Brasil inovador, um Brasil que projeta e fabrica aviões, carros, caminhões, maquinário e software”, acrescentou ele em apresentação a jornalistas, destacando ainda a atuação do país na transição energética.
Na mesma fala Alex Figueiredo ressaltou um diferencial histórico do Brasil em combustíveis. “Somos líderes em biocombustíveis. Sabemos que muitos países estão lutando para reduzir emissão de gases do efeito estufa [causadores do aquecimento global] no transporte. O Brasil tem, por décadas, trabalhado com flex fuel, que é uma invenção brasileira”, explicou ele, ao citar que a Volkswagen foi a primeira montadora a oferecer carro flex no país.
Jochen Köckler, CEO da Deutsche Messe AG, apresentou argumentos que levaram à escolha do Brasil como país parceiro e destacou características competitivas brasileiras. “O Brasil é a maior economia da América do Sul. É um país jovem, digital, com empresas muito bem desenvolvidas”, afirmou o executivo, acrescentando em seguida outra observação sobre a força do país em energia e demografia. “É mais forte em energias renováveis do que muitos imaginam, tem uma população 20 anos mais jovem que a europeia e que enxerga oportunidades”. Köckler também projetou os desdobramentos comerciais do encontro. “Todos os esforços devem estar voltados para uma parceria confiável e duradoura e, no fim, bons negócios para todos que estarão aqui”.
Do lado brasileiro, a representante regional da ApexBrasil, Márcia Nejaim, relacionou inovação e desenvolvimento econômico como efeitos esperados da participação internacional. “As empresas que exportam inovam mais, geram empregos com melhores salários e geram mais empregos”, pontuou ela, e completou com a expectativa de impacto social. “Na medida que esse círculo virtuoso vai acontecendo, a gente consegue gerar um impacto real na vida do brasileiro, na geração de empregos de boa qualidade e de mais empregos”.
O embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, enfatizou aspectos institucionais e a capacidade industrial do país ao falar a jornalistas estrangeiros. “Compartilhamos valores, compartilhamos instituições democráticas, assim como os desafios comuns em nossas capacidades industriais, mas também a prontidão para agir juntos para maximizar resultados ganha-ganha para nossas sociedades”, declarou o diplomata, ao apresentar o Brasil como uma democracia estável e economia emergente. Em outra declaração sobre conteúdo tecnológico ele afirmou que “Temos uma indústria que vai mostrar ao público, não só o alemão, mas também ao europeu, a sua enorme capacidade de encontrar soluções para diversas áreas”.
A programação da feira prevê ambientes dedicados à troca de pesquisas e transferências de tecnologia, além de oportunidades de negociação. A organização da Deutsche Messe AG espera que o evento sirva também para evidenciar o protagonismo brasileiro em setores como energias renováveis e biocombustíveis, e para abrir novas frentes de colaboração e investimento.
Estão confirmadas as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler da Alemanha Friedrich Merz, o que reforça o caráter político e econômico da participação brasileira na feira.
*O repórter viajou a convite da Deutsche Messe AG, organizadora da Hannover Messe

