Defesa de Vorcaro pede ao STF apresentação de provas da prisão do banqueiro
A defesa de Daniel Vorcaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal que determine à Polícia Federal a apresentação das informações que embasaram a prisão do banqueiro, cumprida ontem na terceira fase da Operação Compliance Zero.
Em nota assinada pelo advogado Edson Gushiken, a defesa sustenta não ter acesso prévio aos elementos que fundamentaram o pedido de prisão preventiva e pediu esclarecimentos específicos sobre as provas reunidas pelos investigadores.
Os advogados pediram que sejam informadas as datas das mensagens que a investigação atribui a Daniel Vorcaro e que os investigadores indiquem os elementos que comprovem a existência do suposto grupo de trocas de mensagens denominado
“A Turma”
A defesa requereu ainda a apresentação de elementos que sustentem as datas das supostas invasões de sistemas de órgãos públicos e das remoções de conteúdo em plataformas digitais, além da identificação do documento e do número de conta que teriam motivado o bloqueio de R$ 2,2 bilhões atribuído a um familiar do empresário.
Os advogados também pediram os documentos que comprovariam pagamentos que, segundo a Polícia Federal, serviam para manter em funcionamento uma estrutura voltada à vigilância e à intimidação de pessoas que contrariavam interesses financeiros de Vorcaro.
Segundo a investigação, o responsável por efetuar os pagamentos era Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, que foi preso na quarta-feira, e descrito como espécie de contador informal do grupo.
A defesa cita beneficiários dos repasses identificados nas apurações, entre os quais Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado no celular de Vorcaro como Felipe Mourão e apelidado de
“Sicário”
Na sentença do ministro André Mendonça, do STF, Mourão é qualificado como
“responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”
As investigações atribuem a Mourão pagamentos mensais da ordem de R$ 1 milhão, segundo as apurações divulgadas pela Polícia Federal.
Mourão foi levado à carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, em Belo Horizonte, onde, conforme a corporação, tentou o autoextermínio ao enforcar-se com uma camisa amarrada na grade. Policiais o reanimaram e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência prestou atendimento, encaminhando-o a um hospital da capital mineira.
Com suspeita de morte cerebral, Mourão segue internado no Centro João 23, em monitoramento contínuo, e seu estado é considerado grave, conforme as últimas informações prestadas pelos advogados que o assistem.
O banqueiro Daniel Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos ao tentar deixar o país, na primeira fase da Operação Compliance Zero, então concentrada na investigação sobre emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, incluindo o Banco Master.
Ele foi posto em liberdade onze dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que impôs a Vorcaro e a seus sócios o uso de tornozeleiras eletrônicas, além da proibição de atuar no setor financeiro, de manter contato entre si ou com outros investigados e de deixar o país.
A defesa aguarda agora que o STF determine à Polícia Federal a entrega dos elementos solicitados, para que possa ter pleno acesso às provas que embasaram a prisão preventiva executada na fase mais recente das investigações.

