Apoio à guerra contra o Irã divide políticos e opinião pública nos EUA

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A maioria dos norte-americanos desaprova os ataques a Teerã, enquanto parlamentares em Washington se confrontam sobre como e se devem restringir o poder do presidente para conduzir ações militares no Oriente Médio. No Senado tramitam duas resoluções que buscam obrigar o governo a pedir autorização ao Congresso antes de prosseguir com operações contra o Irã.

Reações públicas e sondagens

Levantamentos recentes mostram ceticismo amplo entre a população em relação ao conflito. Pesquisa da Reuters com o instituto Ipsos indicou que 27% dos entrevistados aprovam os ataques, enquanto sondagem da CNN conduzida pela SSRS apontou aprovação de 41% e reprovação de 69%.

Ao comentar os índices, o presidente relativizou a importância das pesquisas. “Tenho que fazer a coisa certa. Isso deveria ter sido feito há muito tempo”. A declaração foi dada ao New York Post.

Nas ruas, manifestações contrárias ao conflito ocorreram em diversas cidades, mas, segundo relatos, reuniram, em geral, poucas centenas de participantes. Ao mesmo tempo, atos em comemoração à morte do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, foram registrados em comunidades da diáspora iraniana anti-regime nos Estados Unidos.

Divisão na elite política e na imprensa

Parlamentares republicanos, de modo geral, têm apoiado as ações contra Teerã, embora existam dissidências na base do movimento Make America Great Again. Entre os democratas, predominam críticas à legalidade das operações por não terem sido autorizadas pelo Congresso, conforme exige a legislação norte-americana.

O senador democrata Tim Kaine, autor de uma das propostas que exigem autorização parlamentar, alertou sobre os riscos humanitários e políticos da escalada. “Esses ataques são um erro colossal, e espero que não custem a vida de nossos filhos e filhas fardados e em embaixadas por toda a região”. Kaine sustenta que a opinião pública quer prioridade em preços baixos e não mais guerras sem respaldo legislativo.

Há, contudo, vozes democratas favoráveis à ação militar. “Todos os membros do Senado dos EUA concordam que não podemos permitir que o Irã adquira uma arma nuclear. Fico perplexo com o fato de tantos se recusarem a apoiar a única ação capaz de alcançar esse objetivo”. A frase foi proferida pelo senador John Fetterman.

Entre os republicanos, o apoio tende a manter-se enquanto o conflito for breve, mas alguns parlamentares admitem rever posição caso a guerra se alongue. “Por enquanto, serei contra [a resolução para barrar a guerra], mas se isso se prolongar por mais de algumas semanas, terei muito mais preocupações”. A declaração é da deputada Nancy Mace.

A imprensa americana apresenta posturas variadas. Em editorial, o New York Times qualificou a ação como “imprudente” e criticou a falta de justificativa clara e de autorização do Congresso, ao mesmo tempo que sustentou que eliminar o programa nuclear iraniano seria um “objetivo louvável”. “Um presidente americano responsável poderia apresentar um argumento plausível para novas ações contra o Irã. O cerne desse argumento precisaria ser uma explicação clara da estratégia, bem como a justificativa para um ataque imediato, mesmo que o Irã não pareça estar perto de possuir uma arma nuclear”.

O Wall Street Journal posicionou-se mais favoravelmente à agressão, ressaltando que o possível “erro” seria encerrar prematuramente o confronto e não destruir integralmente as capacidades militares iranianas e seus aliados regionais, expressando preocupação com um fim antecipado das operações. “encerrar a guerra prematuramente, antes que as forças armadas iranianas e seus grupos terroristas domésticos sejam completamente destruídos”.

Críticas ao tratamento jornalístico também foram veiculadas por meios independentes. “A mídia americana está disseminando propaganda governamental e ignorando o papel de Israel, enquanto apoia a guerra contra o Irã e pressiona por uma mudança de regime. Até mesmo os autodenominados comentaristas liberais da CNN estão fomentando uma mudança de regime”, escreveu o jornalista Michael Arria.

O debate legislativo prossegue em meio a essas divisões. O Senado deve votar uma das resoluções nesta quarta-feira, em iniciativa que busca retomar o papel do Congresso na autorização de ações militares, repetindo esforço anterior que, em junho de 2025, não conseguiu obter vitória quando proposta similar foi rejeitada naquela ocasião.

Especialistas consultados destacam que a oposição à guerra ainda não se consolidou em larga escala, mas pode crescer conforme a duração do conflito e o número de vítimas aumentem. O professor Rafael R. Ioris avaliou a atual resistência como pontual e ligada às vozes já críticas ao governo. “A insatisfação contra a guerra no Irã é pontual e dentro das vozes já críticas ao governo Trump. Mas se houver muitas mortes, poderá aumentar as críticas. Vai depender de como a guerra evolua”. Em seguida, ele acrescentou sua leitura sobre a dinâmica política: “Por ora, os republicanos que controlam o Congresso não vão apresentar resistências significativas”.

Na mesma linha de análise, o professor emérito James N. Green apontou fissuras na base de apoio presidencial. “A base de Trump se dividiu. Sempre surge o nacionalismo e uma noção que tem que defender as tropas, mas neste momento a maioria da população está contra a intervenção e um setor minoritário, mais significativo, da Maga, está criticando”.

Com o Legislativo e a opinião pública em desacordo sobre os rumos da política externa, decisões imediatas no Congresso e o desenrolar dos eventos no terreno terão papel determinante para definir se os EUA mantêm ou ampliam a ofensiva contra o Irã.

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