Embaixador do Irã diz que EUA evitam acordo e acusa Trump de se ver como rei do mundo
O embaixador do Irã no Brasil convocou a imprensa na embaixada em Brasília na segunda-feira para expor que os Estados Unidos não estariam empenhados em um acordo nuclear com Teerã e para reforçar que, apesar da morte do Líder Supremo, a gestão do país segue funcionando.
Ao justificar a interrupção das conversas nucleares previstas em Viena, o diplomata observou “Hoje, era previsto acontecer a reunião de especialistas de questões nucleares em Viena [capital da Áustria] por meio da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica]. Mas, novamente, a mesa de negociação foi atacada pelo regime sionista [Israel] e pelos EUA”
O embaixador também disputou a legitimidade das motivações apresentadas por Washington e Tel Aviv e defendeu que as negociações foram usadas como cobertura para ações que visam mudança de regime.
Em relação à postura dos Estados Unidos, Nekounam afirmou “O presidente atual dos EUA pensa que é o rei do mundo. Pode ser que, alguns países, devido a seus interesses, possam aceitar essas alegações e imaginações. Mas a República Islâmica do Irã, há 47 anos, busca sua independência”
Administração do poder e capacidade de defesa
O embaixador descreveu a transição de comando após o assassinato do líder como célere e garantiu continuidade nas decisões de defesa.
Sobre a organização política após a morte de Ali Khamenei, Nekounam destacou “Vocês viram que, com o assassinato do Líder Supremo, que comanda toda questão de defesa do país, as coisas se organizaram de forma célere e rápida. A defesa [do país] está contínua, firme e poderosa”
Em outra manifestação sobre a estabilidade institucional, ele assegurou que a administração nacional não sofreu descontinuidade e ressaltou “Irã é país soberano por completo e a gestão e administração do país está em vigor e em forma plena”
Ao justificar os ataques do Irã contra instalações militares de potências e aliados, o embaixador contextualizou os objetivos e as restrições de alvo.
Referindo-se à natureza das ações militares, Nekounam afirmou “É nosso direito, porque nós fomos atacados, porque nós estamos nos defendendo com direito legítimo. Sobre nossas relações de amizade, com nossos países vizinhos, não há nenhum desentendimento. Nossas ações são contra bases militares dos EUA e alguns centros do regime sionista. Que isso não se considera ataque aos territórios desses países mencionados”
Críticas a elites e repercussões diplomáticas
Ao relacionar a capacidade moral dos Estados Unidos para mediar assuntos globais, o embaixador citou arquivos e escândalos ligados a figuras da elite política norte-americana.
Nekounam questionou a autoridade dos EUA para administrar assuntos internacionais ao mencionar documentos associados a Jeffrey Epstein e realçou limites éticos, dizendo “O nosso mundo tem valor muito superior para ser administrado pelos ‘reis’ que, nos arquivos do Epstein, estão cada vez mais envolvidos. As pessoas que ultrapassaram as fronteiras de humanidade não merecem e não valem administrar a soberania do mundo”
Nekounam agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil que condenou o uso da força por Israel e pelos Estados Unidos e reiterou o direito do Irã de se defender. Analistas consultados pela Agência Brasil avaliavam que mudanças de regime em Teerã teriam implicações geopolíticas ligadas à contenção do avanço econômico da China e à manutenção da hegemonia israelense na região.
Fontes diplomáticas citadas indicaram que omitiam-se negociações mediadas por Omã e que, na véspera da agressão, o chanceler Badr bin Hamad Albusaidi havia afirmado estar muito próximo de um acordo no qual o Irã teria concordado em não manter urânio enriquecido em níveis que permitissem a fabricação de armas.
O conflito recebeu justificativas divergentes de cada lado. Israel e Estados Unidos alegam que o Irã desenvolve um programa de artefatos nucleares, o que representaria uma ameaça, enquanto Teerã insiste que seu programa é de fins pacíficos e se disponibilizava para inspeções internacionais. Em nota histórica, lembram-se os EUA de que, no primeiro governo do presidente Trump, foi abandonado o acordo de 2015 que estabelecia inspeções internacionais ao programa nuclear iraniano.
Relatos oficiais e reportagens apontam que os ataques iranianos atingiram alvos ligados a forças dos Estados Unidos estacionadas em países da região e que haveria impacto em instalações em Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia, conforme informações compiladas por veículos que acompanharam os fatos.
Ao assumir o segundo mandato em 2025, o presidente norte-americano impôs exigências ampliadas a Teerã, incluindo o desmantelamento do programa nuclear e o fim de projetos de mísseis balísticos de longo alcance, além do corte do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah, conforme divulgação de posições oficiais norte-americanas.

