Trump afirma que inaugura era de ouro da América em discurso ao país

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Subindo ao púlpito sob aplausos dos parlamentares republicanos, o presidente buscou transmitir uma imagem de recuperação e vigor nacional. “Nossa nação está de volta — maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”. A declaração marcou a abertura do pronunciamento e sinalizou a tentativa de alterar a percepção pública sobre sua gestão a poucos meses das eleições de meio de mandato.

O cenário político em torno do discurso era tenso, com pesquisas indicando insatisfação crescente entre os americanos e parlamentares republicanos receosos de perder a maioria no Congresso. Dezenas de assentos do lado democrata ficaram vazios, refletindo ausências de legisladores que foram participar de manifestações em frente ao Capitólio.

O presidente concentrou a maior parte do tempo inicial nas questões econômicas, destacando medidas que, segundo ele, teriam desacelerado a inflação, elevado o mercado acionário a recordes, promovido cortes fiscais e reduzido preços de medicamentos. A ênfase ocorreu após dados recentes mostrarem que a economia desacelerou mais do que o esperado no último trimestre e que a inflação voltou a acelerar, conforme divulgou relatório na sexta-feira (20).

Ao tratar especificamente da inflação, o presidente adotou tom otimista e usou expressão enfática para descrever a tendência dos preços. “caindo vertiginosamente”. Ainda assim, análises apontam que itens como alimentos, moradia, seguros e serviços continuam substancialmente mais caros do que em anos anteriores.

Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que apenas 36% dos norte-americanos aprovam sua gestão da economia, dado que pesa sobre a estratégia republicana nas urnas. Trump procurou atribuir a responsabilidade pelos preços altos ao seu antecessor, Joe Biden, mas sondagens indicam que muitos eleitores o responsabilizam por não ter adotado medidas suficientes para aliviar a crise de acessibilidade.

Em relação à política externa, o presidente abordou o tema de forma sucinta e sem oferecer diretrizes claras sobre pontos sensíveis. Ao comentar a situação com o Irã, apresentou preferência por um caminho diplomático. “Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia”. Na mesma passagem, reafirmou um limite inegociável na questão nuclear. “Mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo, que é de longe o Irã, tenha arma nuclear”.

O presidente manteve tom contido sobre decisões recentes da Suprema Corte relativas a tarifas e considerou a decisão “lamentável”, mas sustentou que, em última instância, a medida teria pouco impacto sobre sua política comercial. Ele também afirmou ter encerrado oito guerras, afirmação tratada por analistas como exagerada, e reservou poucas menções à Ucrânia e à China.

Ao retomar o tema da imigração, Trump adotou linguagem combativa para criticar opositores e defender medidas de repressão que foram centrais em sua campanha. “Vocês deveriam ter vergonha”. A passagem gerou atritos com membros da bancada democrata e reacendeu controvérsias sobre a amplitude das ações federais no tema.

Em reação direta no plenário, a deputada Ilhan Omar gritou em direção ao presidente “Você matou norte-americanos!”. O contraste entre as falas e as respostas dos legisladores evidenciou a polarização no ambiente do Congresso durante o discurso.

O presidente também retomou acusações sobre fraude nas eleições e cobrou apoio a requisitos de identificação de eleitores. “Eles querem trapacear”. Democratas argumentam que as medidas de identificação defendidas por republicanos imporiam ônus a eleitores e poderiam suprimir a participação.

Outro episódio do discurso envolveu o deputado Al Green, que foi retirado da Câmara após exibir um cartaz com a frase “Os negros não são macacos”. A mensagem fazia referência a um vídeo publicado nas redes sociais que mostrou um clipe envolvendo ex-presidentes e que a Casa Branca acabou retirando, atribuindo a postagem a um funcionário.

Algumas manifestações democratas foram menos explosivas, mas simbólicas. A deputada Jill Tokuda usou uma jaqueta branca com palavras como “acessibilidade” e “saúde” e várias legisladoras exibiram crachás com os dizeres “divulguem os arquivos”, em referência ao escândalo envolvendo Jeffrey Epstein. Cerca de uma dezena de acusadoras de Epstein compareceram ao evento como convidadas da bancada democrata.

Durante o discurso o presidente manteve-se mais fiel ao roteiro do que é habitual, evitando digressões espontâneas na maior parte do tempo, embora tenha rompido a contenção em momentos de confronto direto com adversários. O tom e os conteúdos apresentados refletem a tentativa da administração de resgatar narrative positiva sobre economia e segurança, em um contexto de críticas domésticas e incertezas externas.

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