Lula diz que Brasil fará qualquer sacrifício para prender magnatas da corrupção
O presidente anunciou em Seul que o combate a grandes redes de corrupção e ao narcotráfico estará entre os pontos centrais da agenda que pretende levar ao encontro com o presidente dos Estados Unidos em Washington no mês seguinte.
“O desejo nosso é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício”
Em entrevista à imprensa durante visita de Estado à Coreia do Sul, o chefe do Executivo disse que levará à reunião representantes de áreas da investigação e da administração fiscal para demonstrar a capacidade brasileira de cooperação no combate ao crime organizado.
“Quando eu for aos Estados Unidos, eu vou levar junto comigo a Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e vou mostrar para ele [Trump] que se ele quiser, de verdade, combater o crime organizado, o narcotráfico, o tráfico de armas, o Brasil será parceiro de primeira hora, porque nós temos expertise nisso com a nossa Polícia Federal”
O presidente informou ainda que a pauta bilateral está sendo construída e que incluirá temas de interesse do país, com menção a posições sobre o multilateralismo e a democracia.
“E ele [Trump] também tem a pauta dele para mim”
Lula desembarcou na Ásia no dia 18 e cumpriu agendas na Índia e na Coreia do Sul, onde tratou da retomada das negociações entre a Coreia do Sul e o Mercosul, suspensas desde 2021, com a intenção de reiniciar os debates neste ano.
“Eu lembrei a ele [Lee Jae-Myung, presidente da Coreia do Sul] que era muito importante, neste instante em que se discute a volta do unilateralismo, voltarmos a discutir esse acordo. Ele se mostrou muito interessado. Vamos montar as comissões para começar a debater e, se tudo der certo, podemos concluir esses acordos este ano”
O governo também posicionou como prioridade a ampliação do acordo de comércio preferencial entre Mercosul e Índia, com vistas ao aumento do livre comércio e das trocas comerciais.
Da Coreia do Sul, a comitiva seguiu com destino aos Emirados Árabes Unidos, onde o presidente tem encontro de trabalho com Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e foi questionado sobre a escalada de tensão no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã.
“Eu não vou discutir a guerra do Irã, eu não sou representante da ONU, não sou do Conselho de Segurança como membro permanente da ONU. Eu vou discutir a relação comercial e política entre Brasil e os Emirados Árabes. Eu acho que nós não estamos precisando de guerra, estamos precisando de paz, estamos precisando de investimento, desenvolvimento que é isso que vai fazer melhorar a vida do povo”
Ainda nesta terça-feira a comitiva presidencial embarca de volta para Brasília, encerrando a etapa asiática da viagem que incluiu visitas oficiais à Índia e à Coreia do Sul.

