Operação que matou El Mencho é detalhada pelas Forças Armadas do México

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O chefe do Cartel Jalisco Nueva Generación, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi morto durante uma operação militar no estado de Jalisco no domingo, 22, desencadeando uma onda de violência em todo o país que incluiu bloqueios de vias, veículos incendiados e ataques a prédios públicos e comerciais.

A presidente Cláudia Sheinbaum informou que o país amanheceu sem novos distúrbios na segunda-feira e saudou o trabalho das Forças Armadas. “Nossos pêsames às famílias dos militares que perderam suas vidas ontem. E nosso mais profundo respeito. O povo do México deve se orgulhar muito de nossas Forças Armadas e de nosso gabinete de segurança.”

As autoridades mexicanas explicaram que a operação foi possível depois de interceptações que levaram à localização de um associado de confiança ligado a uma das parceiras de El Mencho, o que permitiu identificar um imóvel em Tapalpa onde o narcotraficante se reuniu com seu círculo mais próximo.

Informou o secretário de Defesa Nacional, general Ricardo Trevilla. “Em 20 de fevereiro, por meio de operações da Inteligência Militar Central, um associado de confiança de uma das parceiras amorosas de El Mencho foi localizado. Ele a levou a uma instalação na cidade de Tapalpa, em Jalisco”

Segundo relato das autoridades, a suposta parceira encontrou-se com o líder do CJNG no sábado, 21, e, no domingo, as Forças Armadas mexicanas realizaram a ação destinada à sua captura. Foram mobilizados agentes de forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional, com o emprego de seis helicópteros e aeronaves modelo Texan.

O general Trevilla descreveu a primeira troca de tiros que permitiu a fuga inicial do narcotraficante. “Mencho fugiu, deixando para trás um grupo com grande quantidade de armas; foi um ataque verdadeiramente violento perpetrado por um grupo do crime organizado. E os militares das Forças Especiais repeliram o ataque”

Na ação inicial, integrantes do CJNG teriam usado armamento pesado, incluindo sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes, e El Mencho e alguns de seus guarda-costas conseguiram escapar para uma área de vegetação próxima, onde foram novamente cercados pelas tropas.

As forças mexicanas contaram um perímetro e localizaram o líder do cartel ainda vivo, escondido em vegetação rasteira; nova troca de tiros abalou a operação e um helicóptero estatal realizou um pouso de emergência após ser atingido por um projétil. As forças conseguiram repelir o ataque, deixando o chefe do grupo gravemente ferido junto com dois dos seus guarda-costas.

Completou o general Trevilla ao detalhar o atendimento médico e o transporte. “Assim que a situação foi controlada, a equipe médica militar chegou ao local onde Mencho e sua equipe de segurança estavam. Todos os feridos estavam em estado crítico. Um helicóptero foi solicitado para pousar e transportá-los para um centro médico em Jalisco. Mencho, seus dois guarda-costas e o oficial ferido foram transportados. Infelizmente, ele faleceu durante o transporte”

Em decorrência das duas trocas de tiros, as Forças Armadas mexicanas informaram que 15 suspeitos de participação no Cartel de Jalisco foram mortos. Três militares ficaram feridos durante a operação.

Os ataques coordenados em retaliação à morte do líder geraram 252 bloqueios em 20 dos 31 estados do México e resultaram na morte de 27 agentes do Estado, além de 30 suspeitos de integraram as ações violentas, conforme dados divulgados pelo Gabinete de Segurança da presidência do México. As autoridades também relataram que o cartel ofereceu 20 mil pesos por militar assassinado.

Autoridades mexicanas afirmaram que além das informações obtidas internamente houve troca de dados com os serviços de inteligência dos Estados Unidos, o que contribuiu para a localização precisa do alvo.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou a cooperação e o papel do governo americano. “El Mencho era um alvo prioritário para os governos mexicano e americano, sendo um dos principais traficantes de fentanil para o país. O governo Trump também elogia e agradece às Forças Armadas mexicanas pela cooperação e pelo sucesso na execução desta operação”

Ao mesmo tempo, a presidente mexicana ressaltou que a atuação em campo foi conduzida por forças federais do México e que a participação americana se deu por meio de troca de informações. O general Trevilla acrescentou contexto sobre a origem das pistas iniciais e o papel dos EUA na confirmação da localização.

O general Trevilla esclareceu a integração das informações. “Havia, insisto, muitas informações adicionais muito importantes que os EUA nos forneceram, mas tudo isso, uma vez integrado e minuciosamente analisado, nos permitiu identificar a localização exata. Mas as informações iniciais sobre o parceiro romântico e seu círculo íntimo, e assim por diante, são produto da inteligência coletada por militares [do México]”

Especialistas em políticas sobre drogas apontam que o Cartel de Jalisco Nueva Generación se consolidou a partir dos anos 2010 e hoje figura entre as organizações mais poderosas do México, em disputa com outras facções por rotas e territórios.

Gabriela de Luca, advogada especialista em políticas sobre drogas, trouxe perspectiva sobre as rivalidades que alimentam a violência. “Seu principal rival tem sido o Cartel de Sinaloa, com quem disputa rotas internacionais, corredores logísticos e territórios em diversos estados — uma rivalidade amplamente apontada como um dos fatores centrais da violência recente no país”

El Mencho estava na lista dos mais procurados pelos Estados Unidos desde 2016, com recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. No México, a recompensa por informações que resultassem em sua prisão chegava a 30 milhões de pesos.

O conflito também afetou o cotidiano em Jalisco. O jornalista Enrique Blanc, que vive em Guadalajara, descreveu a cidade vazia no domingo e o fechamento do comércio local. “Há incertezas. Os comércios ainda estão fechados. Mais tarde, estarei na cidade produzindo meu programa para a Rádio Universidade de Guadalajara. Espero que tudo volte ao normal em breve”

As autoridades mexicanas mantêm investigação sobre os eventos que antecederam e sucederam a operação e sobre as redes de apoio do CJNG, enquanto avaliadores de segurança monitoram possíveis desdobramentos após a morte do líder.

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