Família de jovem inocentado por morte de cão relata ameaças e linchamento virtual

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O encerramento do inquérito policial sobre a morte do cão comunitário Orelha resultou no indiciamento de apenas um adolescente e inocentou outros três investigados, mas o desfecho jurídico não encerrou o pesadelo para a família de um dos jovens não indiciados. Pais do adolescente relatam enfrentar uma onda contínua de linchamento virtual e ameaças graves desde a repercussão do caso ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis.

A rotina da família foi alterada drasticamente pelo vazamento de dados pessoais como endereços, documentos, placas de veículos e contas bancárias nas redes sociais. O pai descreve o uso de transferências bancárias de valor irrisório como meio para o envio de textos intimidadores. “As pessoas fazem Pix de um centavo para ficar mandando mensagem, ‘vou te matar’, ‘sua família acabou’, ‘a gente vai pegar vocês’.”

A gravidade das intimidações obrigou o casal a utilizar economias para a contratação de segurança particular e monitoramento diante da possibilidade de protestos em frente à residência. A exposição massiva também impactou a vida profissional da mãe, que se viu forçada a interromper as atividades de sua loja virtual devido à associação do caso com sua imagem.

O adolescente inocentado encontra-se em reclusão, sem acesso às redes sociais e sob acompanhamento psicológico devido ao abalo emocional. O pai lamenta que a narrativa criada na internet tenha se sobreposto aos fatos apurados oficialmente pelas autoridades. “Mesmo com todas as notícias no sentido contrário de qualquer culpa em relação a ele, a internet comprou uma versão que adotou como verdade e parece que, nem se os anjos descerem na Terra para falar que não foi ele, ela vai aceitar.”

A origem da exposição descontrolada remonta a desentendimentos ocorridos em um condomínio na Praia Brava entre jovens e um porteiro, conforme relato dos pais. Um áudio atribuído ao funcionário circulou em grupos de mensagens logo após a morte do animal, levantando suspeitas sobre o grupo de adolescentes. O pai afirma que o filho sempre conviveu bem com animais e questiona a lógica das acusações ao citar vídeos do jovem cuidando de outro cão. “Um adolescente que trata um cachorro dessa maneira vai sair dali, ir até outra esquina e matar um cachorro? Não tem o menor cabimento isso.”

A família critica a condução das investigações e a falta de proteção contra os ataques virtuais, além de aguardar a devolução de aparelhos eletrônicos apreendidos durante as buscas. Embora mantenham amizade com a família do único jovem indiciado e questionem a solidez das provas contra ele, o foco atual dos pais é buscar a responsabilização judicial pelos caluniadores e tentar retomar a rotina.

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