Google supera OpenAI e assume liderança na corrida da inteligência artificial

news 163308 1770323159

A percepção de Wall Street sobre a hierarquia na inteligência artificial sofreu uma reviravolta significativa, posicionando a Alphabet como a nova força dominante no setor. A controladora do Google, antes vista como retardatária em comparação à OpenAI, conseguiu reverter as expectativas negativas de investidores e agora lidera a corrida tecnológica. Essa mudança de maré colocou a empresa no seleto grupo de companhias com valor de mercado superior a US$ 4 trilhões, ao lado de Nvidia e Apple.

O otimismo do mercado é impulsionado pelos resultados operacionais recentes e pela integração do modelo Gemini 3 aos produtos da companhia. O aplicativo Google Gemini registrou um salto expressivo de engajamento, encerrando dezembro com mais de 750 milhões de usuários ativos mensais, um aumento considerável em relação aos 650 milhões contabilizados em setembro. Apesar do crescimento, a ferramenta ainda persegue os números do ChatGPT, que ultrapassou a marca de 800 milhões de usuários ativos semanais em outubro.

A infraestrutura de IA da gigante de buscas tem demonstrado capacidade de gerar retornos financeiros tangíveis tanto em segmentos de consumo quanto corporativos. O presidente-executivo da Alphabet, Sundar Pichai, ressaltou o impacto transversal dessa tecnologia nos negócios da empresa. “No geral, estamos vendo nossos investimentos em infraestrutura de IA impulsionarem a receita e o crescimento em todas as áreas”.

A versão empresarial do Gemini já alcançou 8 milhões de licenças pagas, e o novo modelo foi incorporado ao mecanismo de pesquisa através do “Modo IA”. Pichai também observou uma mudança no comportamento do público. “Também estamos observando um engajamento significativamente maior por usuário, especialmente desde o lançamento do Gemini 3”.

Investimentos massivos e reação do mercado

A liderança tecnológica exige um aporte financeiro monumental, o que gera cautela entre acionistas. A Alphabet anunciou uma projeção de gastos de até US$ 185 bilhões para este ano, valor que pode mais que dobrar na comparação com 2025. O anúncio provocou uma queda superior a 3% nas ações da empresa nesta quinta-feira (5), embora os papéis acumulem valorização de 80% nos últimos 12 meses.

Analistas alertam para a necessidade de que esses gastos se traduzam rapidamente em rentabilidade. Mark Shmulik, da Bernstein, analisou o cenário de despesas combinadas entre as grandes empresas do setor. “Estamos chegando rapidamente a mais de US$ 1 trilhão em investimentos combinados em 2026 entre as megaempresas, se considerarmos tanto os investimentos quanto as necessidades de recursos associadas. Para que esse trilhão seja rentável, o mercado total acessível para produtos e aprimoramentos baseados em IA precisa ser múltiplo disso muito rapidamente”.

Contraste com a OpenAI e rivais

Enquanto o Google avança com recursos próprios, concorrentes que dependem fortemente da OpenAI enfrentam ceticismo crescente. A Microsoft sofreu forte desvalorização na última semana, reflexo das dúvidas sobre a sustentabilidade financeira de sua parceira estratégica. A Oracle, que possui uma carteira de contratos de mais de US$ 500 bilhões atrelada à criadora do ChatGPT, viu suas ações caírem cerca de 49% desde o início de outubro.

A capacidade da OpenAI de financiar seus compromissos multimilionários tornou-se um ponto de atenção central para o mercado. Paul Meeks, chefe de pesquisa para o setor de tecnologia da Freedom Capital Markets, avaliou essa mudança de narrativa. “Acho que está surgindo uma narrativa em que o mercado está favorecendo o Google em detrimento da OpenAI. No ano passado, nesta mesma época, todos os anúncios da OpenAI de fazer negócios com alguém eram aplaudidos. Mas depois, no final de 2025, as pessoas ficaram dizendo: ‘Meu Deus, grande parte da minha receita acumulada ou dos gastos com infraestrutura de IA vem da OpenAI’”.

A Microsoft, detentora de 27% de participação na OpenAI, registrou queda superior a 20% no mesmo período em que a Alphabet subiu 36%. Dan Morgan, gestor de portfólio da Synovus Trust, explicou a relação entre os acordos comerciais e a confiança dos investidores. “Os acordos que a OpenAI tem com a Microsoft e a Oracle estão altamente ligados à sua capacidade de levantar fundos futuros. Acho que é por isso que você está vendo o mercado favorecer a Alphabet”.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também