Prefeitura apresenta balanço após chuvas que alagaram bairros de Corumbá
O prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira informou nesta terça-feira, 3 de fevereiro, que as chuvas intensas registradas na noite de 27 de janeiro provocaram alagamentos em diferentes regiões de Corumbá, atingindo aproximadamente 200 famílias, sem registro de vítimas. O balanço foi apresentado em coletiva de imprensa no Paço Municipal.
Dados do pluviômetro automático instalado na parte alta da cidade apontam que a precipitação ultrapassou 106 milímetros em cerca de 50 minutos, volume acima da capacidade de drenagem urbana, segundo a Defesa Civil Municipal. Os alagamentos atingiram principalmente áreas com histórico recorrente de enxurradas, como o bairro Guarani.
O prefeito afirmou que acompanhou a situação ainda durante o temporal e determinou a mobilização imediata das equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Infraestrutura.
“Desde o primeiro momento, nossa preocupação sempre foi a vida humana. Graças a Deus, não tivemos perdas humanas”, disse. Ele também relatou o cenário encontrado nas ruas. “Vimos muitos alagamentos, famílias, idosos, crianças no colo. Foi uma situação bastante complicada.”
Segundo a Prefeitura, não houve perda total de moradias de munícipes. O único desabamento registrado ocorreu em um trecho de rodovia, fora da área residencial urbana.
Até o momento, conforme o levantamento oficial, foram distribuídas 232 cestas básicas, 133 colchões, 29 lonas, 15 cobertores, 10 kits de fraldas e quatro kits de higiene. As doações vieram de diferentes instituições e empresas. O município também recebeu a doação de 100 colchões, 600 cestas básicas, 200 galões de água mineral de cinco litros, um rolo de lona, dois fardos de papel higiênico, 12 colchões de solteiro, cinco cobertores, 40 kits de limpeza, 24 caixas de água mineral.
As doações recebidas do Lions Clube Corumbá ainda estão em fase de contagem, segundo a administração municipal.
O prefeito explicou que o bairro Guarani sofre com alagamentos históricos, agravados quando há grande volume de chuva concentrado em curto período. Ele informou que serviços de manutenção em galerias pluviais já foram executados e que há uma obra estruturante garantida em parceria com o governo do Estado, por meio do programa MS Ativo 2, atualmente em fase de licitação. “É uma obra essencial e será tratada como prioridade”, afirmou.
Obra de drenagem e impacto urbano
A secretária municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Jossiely Godoi da Silva, informou que o projeto prevê a implantação de um dissipador de águas na região do Guatós, com ampliação da capacidade de retenção e vazão. Segundo ela, o solo rochoso de Corumbá dificulta intervenções profundas de drenagem, elevando a complexidade e o custo das obras.
Ela também relatou que, após a chuva, o volume de entulhos recolhidos quadruplicou, chegando a cerca de 80 toneladas por dia, o que causou atrasos no cronograma regular de limpeza urbana. A Prefeitura pediu apoio da população para evitar o descarte irregular de resíduos, apontado como fator de entupimento de galerias pluviais.

A vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Bia Cavassa, afirmou que o atendimento às famílias ocorreu de forma ativa, com equipes indo até as residências atingidas.
“Nossas equipes técnicas foram até as casas, sem esperar que as famílias se deslocassem até os CRAS, entendendo que, naquele momento, a prioridade era a limpeza das residências”, disse. Segundo ela, além dos donativos, também foi oferecido apoio psicológico às pessoas que sofreram abalo emocional.
Sobre o sistema de alerta em celulares, o superintendente da Defesa Civil, capitão bombeiro Silvanei Barbosa Coelho, explicou que o mecanismo é utilizado apenas em situações de risco iminente à vida que exigem evacuação imediata. Segundo ele, no caso da tempestade do dia 27, o disparo do alerta poderia gerar pânico, já que o volume de chuva superou as previsões técnicas.
