Lula anuncia apoio a Michelle Bachelet na candidatura à secretária-geral da ONU
O Palácio do Planalto confirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil vai apoiar a candidatura de Michelle Bachelet à secretária-geral da Organização das Nações Unidas, cuja posse do próximo titular está prevista para 1º de janeiro de 2027. A iniciativa foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em publicação nas redes sociais e, segundo o Ministério das Relações Exteriores, a postulação foi apresentada formalmente pelo Chile, pelo Brasil e pelo México.
Em sua mensagem pública o presidente relacionou a escolha a uma necessidade de mudança na liderança da instituição. “em oito décadas de história, é hora de a organização “finalmente” ser comandada por uma mulher.”
Ao lembrar a trajetória da candidata, Lula destacou marcos da carreira política e diplomática de Bachelet, com ênfase no pioneirismo que marcou sua atuação no Chile e no sistema multilateral.
“No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula.
O presidente completou a avaliação sobre as qualidades que, em sua visão, credenciam Bachelet para o posto da ONU. “Sua experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo a credenciam para conduzir a ONU, em um contexto internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos”, completou o presidente brasileiro.
O Itamaraty informou que a candidatura foi formalizada em nota conjunta. Conforme divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, a apresentação reflete a intenção dos três governos de fortalecer o sistema multilateral e oferecer uma liderança capaz de responder aos desafios atuais.
“Essa candidatura reflete a vontade compartilhada de nossos países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral e de promover uma liderança capaz de responder aos desafios atuais”, diz o documento oficial divulgado pelo Itamaraty.
Na mesma nota, o ministério ressaltou aspectos da experiência política de Bachelet que, segundo o texto, representam contribuição à governança das Nações Unidas.
“A ampla experiência da ex-presidenta Bachelet na condução de processos políticos complexos, sua reconhecida capacidade de facilitar o diálogo e seu compromisso com os valores fundamentais das Nações Unidas constituem uma contribuição substantiva para avançar em direção a uma organização mais eficaz, representativa e orientada para o bem-estar das pessoas”, acrescenta o comunicado.
O Itamaraty também contextualizou a escolha diante do atual quadro internacional e reafirmou a postura do Brasil em relação ao multilateralismo. “Reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo como pilar fundamental para uma governança global baseada na cooperação internacional e no respeito à autodeterminação dos povos”, finaliza a nota.
Atualmente o secretariado da ONU é chefiado por António Guterres, reeleito em 2021 para um segundo mandato que vai de 2022 a 2026. A sucessão do cargo deverá ocorrer no começo de 2027, quando o novo secretário-geral assumirá oficialmente suas funções.

