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Apagar completamente rastros digitais é tarefa quase impossível dizem especialistas

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Informações pessoais circulam fora do controle dos usuários devido a megavazamentos e comércio ilegal

A exclusão total de dados pessoais da internet é considerada praticamente inalcançável por profissionais de segurança digital. Informações como nome, telefone, endereço e documentos circulam pela rede através de cookies, anúncios personalizados e bases de dados antigas. O cenário se agrava com a comercialização ilegal dessas informações em fóruns frequentados por cibercriminosos.

Fabio Assolini, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky para a América Latina, destaca a falta de governança sobre dados já expostos. “Não temos controle, por exemplo, das bases vazadas, que geralmente são negociadas por cibercriminosos em diferentes fóruns”. O especialista recorda que essa prática é antiga e evoluiu da venda física de CDs com cadastros para o ambiente digital.

Serviços pagos como Delete Me ou Incogni prometem varrer até a dark web para remover esses registros. Daniel Barbosa, pesquisador da Eset Brasil, avalia que essas empresas auxiliam na tarefa braçal, mas não operam milagres. “Elas fazem o que a própria pessoa pode fazer, só que com muito trabalho”.

Identificação de vazamentos e proteção de credenciais

O primeiro passo para diminuir a exposição envolve descobrir quais informações já se tornaram públicas. Plataformas como o Have I Been Pwned indicam se um email consta em bases vazadas, enquanto o sistema Registrato, do Banco Central, permite monitorar contas e chaves Pix vinculadas ao CPF. Buscas pelo próprio nome no Google e outros navegadores também ajudam a mapear a indexação de dados pessoais.

A alteração imediata de senhas é mandatória ao menor sinal de comprometimento. Especialistas recomendam o uso de gerenciadores de senhas para criar combinações únicas e evitar a repetição de códigos. “A pessoa até se assusta quando vê quantas contas tem no gerenciador. O meu tem 445 senhas armazenadas”. Assolini reforça que uma credencial vazada está permanentemente comprometida.

Limpeza de contas antigas e direitos legais

Realizar uma varredura em caixas de entrada de email ajuda a localizar cadastros esquecidos em lojas, jogos e redes sociais. O encerramento desses perfis inativos reduz a superfície de ataque, pois criminosos utilizam detalhes pessoais encontrados nessas contas para aplicar golpes sofisticados. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) assegura o direito de solicitar a exclusão ou correção de dados a empresas privadas.

O cenário no setor público apresenta maiores desafios para a remoção de registros. Assolini aponta que a legislação atual foca mais na punição do setor privado. “Infelizmente é muito comum que instituições do governo vazem dados. E a LGPD está mais para punir o setor privado do que o setor público”.

Estratégias de navegação e privacidade avançada

O fornecimento de dados reais deve ser evitado em cadastros que não envolvam transações financeiras ou oficiais. O uso de emails alternativos e informações fictícias em fóruns e jogos dificulta a criação de perfis precisos sobre o usuário. “Minta, não informe seu dado real”.

Ferramentas como a aba anônima impedem apenas o armazenamento local de histórico, sem garantir anonimato na rede. Bloqueadores de rastreadores e a limpeza frequente de cookies dificultam a coleta de dados de navegação, embora tornem o uso da internet menos prático.

Medidas extremas de privacidade são sugeridas por Michael Bazzell, ex-investigador de crimes cibernéticos do FBI. O especialista recomenda o uso de sistemas operacionais como Linux, instalação de firewalls, bloqueio físico de câmeras e microfones, além de evitar rastreamento por conexões sem fio e bluetooth.

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