Mato Grosso do Sul une expansão econômica e inclusão social no cenário nacional
Com projeção de 5,9% de crescimento do PIB para 2025 e R$ 80 bilhões em investimentos, o Estado é destaque em mobilidade social, gerando oportunidades.
Mato Grosso do Sul consolida-se como um dos principais polos de crescimento do país, atraindo investidores devido a um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico e a políticas públicas consistentes. O estado é projetado para registrar o segundo maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, com uma estimativa de 5,9%, conforme o relatório econômico mensal Resenha Regional do Banco do Brasil.
Este desempenho robusto é sustentado por um montante superior a R$ 80 bilhões em investimentos privados. A indústria estadual está entre as que lideram o crescimento nacional, enquanto o agronegócio ocupa a vice-liderança em desenvolvimento no Brasil. Esses aportes incluem a instalação de duas das maiores plantas industriais de papel e celulose do mundo, localizadas nos municípios de Inocência e Bataguassu.
O avanço econômico reflete-se diretamente na qualidade de vida da população, impulsionando a inclusão social. Mato Grosso do Sul alcançou a primeira posição no país em mobilidade social, um indicador que mede a capacidade do poder público de oferecer oportunidades reais de ascensão socioeconômica, permitindo que a condição de origem não determine o futuro dos cidadãos.
Programas de apoio e a realidade da ascensão
De acordo com o Atlas da Mobilidade Social, divulgado em junho do ano passado pelo Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), o estado apresenta as maiores chances de melhora de vida para seus cidadãos. O levantamento também apontou que a probabilidade de conclusão do ensino superior em MS está acima da média nacional.
Um dos programas estaduais que contribuem para esses resultados é o MS Supera, iniciativa da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) voltada a estudantes universitários e de educação profissional técnica em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O programa garante uma bolsa mensal de um salário-mínimo, estimulando a permanência e reduzindo a evasão escolar.
Daniel de Oliveira Ezidio, indígena Terena de 25 anos, é um exemplo concreto dessa realidade. Aluno do 8º semestre de Medicina na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), ele utiliza o benefício para seguir os estudos em Campo Grande, com o sonho de atender os povos originários de sua comunidade em Aquidauana.
Antes de receber o auxílio, Daniel precisava conciliar a rotina de estudos em período integral com o trabalho noturno, o que tornava a jornada exaustiva. Ele relatou a dificuldade de sua rotina: “No primeiro, segundo até o terceiro ano de faculdade eu trabalhava numa pizzaria. Saía daqui da UEMS e ia pra lá. Vinha para a faculdade de manhã e à tarde; e à noite ia trabalhar na pizzaria. Saía de lá meia-noite e pouco”.
O jovem médico em formação planeja retornar às suas origens. “Tenho desejo de voltar para casa com essa prática que aprendi aqui, da Medicina, voltar para a comunidade, para a minha origem”.
A busca pela educação e ascensão também é facilitada por iniciativas focadas em grupos específicos, como o curso EJA Mulher, uma proposta da Educação de Jovens e Adultos em Campo Grande que atende mulheres que enfrentam desafios como vulnerabilidade social e, em alguns casos, violência doméstica.
Beatriz Resende de Barros, de 26 anos, retomou os estudos após o nascimento dos filhos e pôde levar sua bebê de quatro meses para a sala de aula. Beatriz, que tem um filho de 7 anos e a bebê Yrian, explicou como a escola se adaptou para garantir sua permanência. “O diretor permitiu que eu trouxesse a Yrian comigo para a sala de aula, e isso fez toda a diferença. O Anthony fica na brinquedoteca, e ela é como a mascote da escola”.
A meta de Beatriz é inspirar os filhos por meio da educação. “Meu sonho é finalizar o ensino médio, fazer faculdade de Engenharia Civil e dar um bom exemplo para os meus filhos. Quero mostrar pra eles que nunca é tarde pra recomeçar”.
Renda e mercado de trabalho com resultados expressivos
No campo econômico, o fortalecimento do mercado de trabalho estadual reflete-se na renda média, que está entre as mais elevadas do país. Dados do IBGE indicam que Mato Grosso do Sul ocupa a oitava colocação nacional, com uma renda média mensal de R$ 3.469.
O estado também registra a quarta menor taxa de desocupação do Brasil, alcançando 2,9%, segundo o IBGE. O saldo de empregos formais acumulado no período de dezembro de 2024 a novembro de 2025 foi positivo em 16.368 vagas, conforme dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
No setor produtivo, Mato Grosso do Sul demonstrou vigor na produção agropecuária, que encerrou 2025 superando R$ 76,3 bilhões. A Carta de Conjuntura da Agropecuária, divulgada pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), projeta que o Valor Bruto da Produção (VBP) deve crescer 23,68% em relação a setembro de 2024, mantendo o estado na sétima posição nacional e respondendo por 5,42% do VBP brasileiro.
Na composição da renda, a agricultura lidera com 63,83% do VBP estadual, equivalente a R$ 48,71 bilhões, um avanço de 19,54% em relação a 2024. A pecuária contribui com 36,16%, com R$ 27,60 bilhões, um crescimento de 31,71% na comparação anual. Entre os produtos que se destacam estão soja, bovinos, milho, cana-de-açúcar, frango e suínos.
Este cenário de expansão também impulsionou a abertura de 13.143 novas empresas no ano passado, de acordo com dados da Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul). Do total de novos negócios constituídos entre janeiro e dezembro, o setor de Serviços concentrou 75,5% das aberturas, seguido pelo Comércio (20,9%) e pela Indústria (3,6%).

