Conhecer a rede do SUS é fundamental para buscar atendimento adequado
O Sistema Único de Saúde é organizado em Redes de Atenção que ligam UBSs, UPAs e hospitais. Entender o fluxo de atendimento é essencial para a eficiência do cuidado e a sustentabilidade da rede.
O SUS (Sistema Único de Saúde) opera através das Redes de Atenção à Saúde (RAS), um modelo que conecta diversos pontos de atendimento, como Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Essa organização visa garantir o cuidado certo no momento apropriado, sendo a Atenção Primária à Saúde (APS) a responsável por coordenar o acesso aos demais níveis do sistema.
A organização dos fluxos de atendimento é vista como crucial para a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro. Crhistinne Maymone, secretária-adjunta de Estado de Saúde, com experiência na construção do SUS em Mato Grosso do Sul, ressalta a importância da conduta do cidadão:
“Quando o cidadão procura o serviço adequado, a rede funciona de forma mais equilibrada, garantindo prioridade a quem mais precisa, melhor uso dos recursos públicos e maior resolutividade no cuidado. Esse é um compromisso permanente do SUS com o acesso qualificado e com a eficiência da gestão”.
Reconhecido mundialmente pela complexidade e abrangência, o SUS assegura atendimento universal, integral e gratuito. O sistema acompanha o cidadão desde ações simples de promoção e prevenção, como vacinação e controle de pressão arterial, até procedimentos de alta complexidade, incluindo cirurgias especializadas e transplantes. O funcionamento do sistema é compartilhado entre União, estados e municípios, e saber onde buscar atendimento em cada cenário evita filas desnecessárias e agiliza o cuidado.
A porta de entrada: Atenção Primária à Saúde (APS)
A APS constitui a principal porta de entrada do SUS, materializada majoritariamente nas UBSs. Essas unidades estão localizadas próximas à residência da população e devem ser o primeiro lugar procurado para o acompanhamento diário da saúde.
Karine Cavalcante, superintendente de Atenção Primária à Saúde da SES (Secretaria de Estado de Saúde), explica que a UBS mantém o cuidado ao longo do tempo:
“A Atenção Primária acompanha o cidadão em todas as fases da vida. É na UBS que a população encontra orientação, prevenção, acompanhamento contínuo e o encaminhamento adequado quando há necessidade de outros serviços”.
É nas UBSs que são realizadas consultas de rotina, acompanhamento de gestantes, crianças e idosos, controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, além de atendimentos multiprofissionais e de enfermagem. As unidades também oferecem serviços preventivos cruciais, como vacinação, pré-natal, atendimento odontológico, distribuição de medicamentos e ações de vigilância em saúde. Casos de urgências menos graves também podem ser atendidos nestes locais.
As UBSs também são responsáveis pela realização de testes rápidos de HIV, sífilis, hepatites virais e gravidez, exames de rastreamento de câncer e ações de planejamento reprodutivo, como distribuição de preservativos e inserção de Dispositivo Intrauterino (DIU). Além de resolver demandas pontuais, a Atenção Primária tem um papel de coordenação essencial dentro da rede:
“Mais do que resolver demandas pontuais, a Atenção Primária conhece o território, cria vínculo com a população e coordena o cuidado dentro da rede”.
Quando o paciente necessita de exames mais complexos, consultas especializadas ou atendimento hospitalar, a equipe da UBS é a responsável por realizar o encaminhamento correto, garantindo a continuidade do cuidado dentro da rede.
Urgência e Emergência: UPA, SAMU e Hospital
As UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) integram a Rede de Atenção às Urgências e Emergências, funcionando 24 horas por dia, todos os dias. Elas são indicadas para urgências que exigem avaliação imediata, mas que não necessariamente demandam internação hospitalar.
Situações como febre alta (acima de 39°C), dor intensa, falta de ar, crises convulsivas, fraturas leves, ferimentos com sangramento sem controle e urgências clínicas, traumáticas ou psiquiátricas devem ser direcionadas à UPA. O atendimento nessas unidades segue um protocolo de classificação de risco, priorizando os casos mais graves, independentemente da ordem de chegada.
Com complexidade intermediária, as UPAs solucionam grande parte das urgências. Se o quadro clínico exigir internação ou atendimento especializado, o paciente é transferido para outro ponto da rede. Se o caso for menos grave, após o tratamento inicial, o usuário é orientado a prosseguir o acompanhamento na UBS de seu território.
O SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) deve ser acionado exclusivamente em situações graves e emergenciais, onde há risco imediato à vida e é necessário atendimento rápido no local ou durante o transporte. O SAMU atua de forma integrada, prestando os primeiros socorros e encaminhando o paciente para a UPA ou hospital, conforme a gravidade.
Os hospitais, por sua vez, são destinados aos níveis de média e alta complexidade. Eles são reservados para atendimentos que requerem uma estrutura maior, como internações, cirurgias, exames complexos e cuidados intensivos.
Angélica Congro, superintendente de Atenção à Saúde da SES, enfatiza que essas unidades são destinadas a atendimentos que exigem maior estrutura:
“Os hospitais atendem os casos que realmente precisam de internação, cirurgias ou exames especializados. Por isso, o acesso acontece de forma organizada, por meio da regulação. Quando o paciente passa pela UPA ou por outro serviço e há indicação clínica, a equipe avalia o caso e faz o encaminhamento para o hospital mais adequado. Esse fluxo garante mais segurança ao paciente, evita deslocamentos desnecessários e contribui para que o SUS funcione de forma mais eficiente para todos”.
Essa organização segue o princípio da hierarquização do SUS, garantindo que cada serviço seja acionado de acordo com a complexidade da necessidade de saúde do paciente. Ao buscar o serviço correto, o cidadão contribui diretamente para que o SUS, um sistema baseado nos princípios da universalidade, equidade e integralidade, opere de maneira mais rápida e resolutiva para toda a população brasileira.

