Lula e Macron debatem Conselho da Paz e reforço da ONU em telefonema de cerca de uma hora

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Em telefonema que durou cerca de uma hora, Lula e Emmanuel Macron defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas e concordaram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU, conforme divulgação oficial do Palácio do Planalto.

Lula foi convidado a ocupar um assento no colegiado criado e presidido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convite ao qual ainda não respondeu, e a proposta tem gerado debate público no Brasil.

Na semana passada, em um evento em Salvador, Lula criticou a proposta de criação do Conselho da Paz

“Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.”

A França também recebeu convite para integrar o colegiado, mas já negou participação, segundo informações do Planalto.

Na segunda-feira, dia 26, Lula conversou também com Donald Trump, sugerindo que o Conselho da Paz incluísse um assento para a Palestina e se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza, e ficou combinada uma visita do presidente brasileiro aos Estados Unidos ainda este ano, em data a ser definida.

No telefonema entre Lula e Macron, os dois trocaram impressões sobre a situação na Venezuela e, conforme o Palácio do Planalto, condenaram o uso da força em violação ao direito internacional, ao mesmo tempo em que concordaram sobre a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo.

No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e sequestraram o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. Os dois foram levados para os Estados Unidos e a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, assumiu o comando do país interinamente.

Acordo Mercosul e União Europeia

Os presidentes também trataram do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado no dia 17 de janeiro após 26 anos de negociação, e das implicações políticas e legais que cercam a implementação do pacto.

Lula reafirmou sua visão sobre a parceria e a relacionou ao papel do comércio internacional baseado em regras

“constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras”

No dia 21 de janeiro, o Parlamento Europeu decidiu pedir ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica sobre a parceria, medida que na prática paralisa o processo de implementação, e o tribunal costuma demorar cerca de dois anos para emitir um parecer.

A França é um dos países que se opõem à ratificação sob o argumento de que o acordo ameaça a agricultura local ao criar “concorrências desleal” com as importações mais baratas do Mercosul, de acordo com informações divulgadas pelo Planalto.

Agenda bilateral e cooperação

Ao final da conversa, Lula e Macron trataram da agenda bilateral e se comprometeram a concluir negociações em curso para assinar acordos ainda no primeiro semestre de 2026, mantendo diálogo frequente sobre cooperação nos temas de defesa, ciência e tecnologia e energia, conforme relatório oficial do governo brasileiro.

Nas últimas semanas, o presidente Lula tem feito e recebido ligações de outros líderes internacionais, entre eles os presidentes Xi Jinping, Vladimir Putin, Recep Tayyip Erdogan, Gustavo Petro, Narendra Modi, Pedro Sánchez, Mark Carney e a presidenta Claudia Sheinbaum, informação que reforça a intensa atividade diplomática citada pelo Planalto.

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