Programa Cidade Empreendedora fortalece gestão e impulsiona pequenos negócios em MS
Iniciativa do Sebrae e Governo de MS moderniza administrações municipais e cria ambiente favorável, refletindo em mais de 3 mil novas empresas abertas no início de 2026.
O ambiente de negócios em Mato Grosso do Sul demonstra crescimento acelerado, impulsionado por uma estratégia estruturante voltada ao empreendedorismo local. Apenas nos primeiros 15 dias de 2026, o estado registrou a abertura de 3.100 novas empresas. Desse total, 98% são classificados como pequenos negócios, com a formalização de Microempreendedores Individuais (MEIs) liderando o volume, representando 87% das novas inscrições.
Essa expansão é sustentada pelo programa Cidade Empreendedora, uma parceria entre o Sebrae MS e o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). O programa está ativo em 36 municípios e tem como foco a construção de um legado de modernização da gestão pública e a melhoria da qualidade de vida da população.
Em execução desde julho de 2025, a iniciativa atua por meio de três frentes estruturantes, denominadas Excelência, Avança e Transforma. Essa organização permite que as soluções sejam adaptadas ao nível de maturidade, desafios e vocações econômicas de cada cidade. Um dos pilares do ciclo de desenvolvimento é o Plano de Desenvolvimento Municipal (PDM), que estrutura as prioridades locais e orienta ações contínuas de capacitação e educação empreendedora.
Desde sua criação em 2018, o Cidade Empreendedora já alcançou 45 municípios sul-mato-grossenses, o que corresponde a 57% das cidades do estado. O fortalecimento do ecossistema empreendedor será tema central da terceira edição do MS Empreende Mais, que será lançado no início de fevereiro pelo Sebrae em parceria com o Governo do Estado. O evento dará visibilidade às iniciativas previstas para 2026 e apresentará os resultados alcançados em 2025, com ênfase nos avanços do Cidade Empreendedora.
O impacto do programa na vida dos empreendedores locais
Os resultados da estratégia integrada já se refletem na consolidação de diversos pequenos negócios. A artesã Luciana de Lima Machado Kaninoski, moradora de Maracaju, exemplifica como a consultoria do Sebrae foi fundamental para estruturar seu empreendimento.
Luciana, que atua no artesanato há mais de 20 anos, inicialmente vendia crochê por indicação, devido ao acesso limitado à internet em uma fazenda. A ideia de expandir o negócio surgiu após sua participação no Sebrae Delas Mulheres de Negócio, o primeiro projeto piloto da instituição do qual ela fez parte.
Ela detalha o escopo de sua empresa, a Boutique das Artes e Chimarrão, criada em 2018. “Sou artesã e empreendedora. Criei, em novembro de 2018, a Boutique das Artes e Chimarrão. No meu negócio, desenvolvo produtos e crio designs personalizados para peças dos clientes, que vão desde chaveiros até troféus e brindes regionais destinados a instituições governamentais”.
A empreendedora explica que, mesmo com acesso limitado a ferramentas digitais, ela concluiu todas as etapas do programa, incluindo workshops e consultorias. O apoio mais intenso do Sebrae veio posteriormente, por meio do programa Move+, em um momento que ela descreve como delicado. “Foi nesse período que o Sebrae chegou de forma mais intensa na minha vida, em um momento bastante delicado. Esse apoio fez toda a diferença”.
Atualmente, Luciana é responsável pela produção, fabricação, atendimento, marketing e gestão. Em casos de grandes encomendas, ela terceiriza a mão de obra para artesãs parceiras da loja, que trabalham com bordado, costura criativa e personalização. A artesã ressalta a importância do suporte institucional para o sucesso do empreendimento.
“Claro que 50% é resultado do nosso esforço, mas os outros 50% foram, com certeza, do Sebrae. O atendimento que recebi foi extremamente excelente. Os profissionais são capacitados, acessíveis e comprometidos. Hoje faço parte do Made in Pantanal, que também comercializa as minhas peças”.
A Boutique das Artes e Chimarrão comercializa seus produtos na loja física e no Instagram, seu principal canal de vendas. Luciana também participa de feiras e eventos regionais, como Pantanaltech, FIT Feira Internacional de Turismo em Dourados, EmpreendeFest, FIDI Feira Internacional de Destinos Inteligentes em Bonito e o Mercado Criativo.
Da educação ao agronegócio de baixo carbono
Outro caso de sucesso é a Queijos Dazu, empreendimento de José Alceu da Silva Cabral, 69 anos, e sua esposa, localizado em Jaraguari. A relação de José Alceu com o Sebrae é antiga, iniciada na área da educação em 1993, quando ele criou uma escola modelo em Campo Grande. Essa parceria auxiliou a profissionalizar a gestão e expandir o negócio para três unidades escolares.
A mudança de trajetória ocorreu quando o casal decidiu vender as escolas para investir no campo. “Resolvemos vender as escolas porque queríamos vir para o campo, mexer com a natureza e desenvolver um projeto diferente”, conta.
A transição coincidiu com a adesão de Jaraguari ao Cidade Empreendedora, o que abriu novas frentes de atuação para o produtor rural. “O programa abriu um leque importante para a produção, a administração e até para o turismo. Vieram cursos, capacitações e avanços por meio do Cidade Empreendedora”.
Com o objetivo de provar a viabilidade econômica do pequeno produtor, a Queijos Dazu, que inicialmente planejava trabalhar apenas com leite, passou a produzir 35 tipos de queijos, agregando valor ao produto. A propriedade é certificada como de baixo carbono e fornece produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), nos âmbitos municipal e estadual. O empreendimento integra uma cooperativa, o que facilita a comercialização para o mercado escolar, comerciantes de Jaraguari e Campo Grande, além da participação em feiras como o Prospera MS.
A atuação integrada entre o Sebrae e o Governo do Estado tem gerado um impacto macroeconômico significativo. De acordo com dados da Receita Federal, 2025 registrou o maior volume de novos empreendimentos entre 2021 e 2025, totalizando 69.387 formalizações. Esse volume representa um crescimento de 31% em relação a 2021, com os pequenos negócios respondendo anualmente pela maior parte das formalizações, variando entre 84% e 96% do total.

