Apoio da China é reafirmado a Lula em diálogo sobre Sul Global e papel da ONU

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Conforme divulgado pela agência estatal Xinhua, em conversa por telefone Xi Jinping reiterou apoio da China ao Brasil e ao Sul Global e solicitou a preservação do papel das Nações Unidas na “atual situação internacional turbulenta”.

A ligação ocorreu dias depois de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela, publicadas em artigo no New York Times. Em artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, Lula escreveu “Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região”.

No mesmo texto Lula insistiu na necessidade de moderação entre as potências e ressaltou limites para o uso da força. “É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção.”

Contexto regional e reações internacionais

As declarações de Xi surgiram semanas depois que o governo norte-americano prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro para ser julgado nos EUA por acusações relacionadas a tráfico de drogas, ação que deixou Caracas em situação de incerteza política.

A operação norte-americana na Venezuela suscitou apreensão entre países da América Latina sobre o risco de intervenções armadas semelhantes em seus territórios e provocou críticas da Organização das Nações Unidas. Em entrevista ao programa Today da BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU Antônio Guterres declarou que os EUA estavam agindo com impunidade e que os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.

Na conversa com Lula Xi também destacou a parceria estratégica firmada em 2024 que alinha a iniciativa do Cinturão e Rota com planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética e ressaltou a intenção chinesa de ampliar apoio econômico à região. “A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe”.

Segundo a Xinhua, além de reafirmar solidariedade política, a China promete novas linhas de crédito e investimentos em projetos de infraestrutura que, na visão de Pequim, consolidam sua influência na América Latina e no Caribe.

Conforme a própria Xinhua a ligação foi divulgada na madrugada desta sexta-feira 23 e traz, de forma complementar, informações apuradas pela Reuters.

O episódio também remete a outras tensões recentes envolvendo potências externas que afetaram as relações com aliados, incluindo menções a tentativas anteriores de pressão sobre territórios ultramarinos que repercutiram diplomaticamente.

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