Enamed: cursos de Medicina da Uniderp e UniCesumar em MS são mal avaliados e podem ter vagas reduzidas

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Duas faculdades particulares de Mato Grosso do Sul tiveram seu desempenho classificado como insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os cursos de Medicina da Universidade Anhanguera Uniderp, em Campo Grande, e da UniCesumar, em Corumbá, obtiveram conceito 2 na avaliação federal, que vai de 1 a 5.

A publicação dos resultados nesta segunda-feira (19) revelou um cenário oposto nas instituições públicas do estado. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) alcançou o conceito máximo (5) nos campi de Campo Grande e Três Lagoas, e a UFGD, em Dourados, também obteve nota 5.

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, ficou com conceito 4. O campus da UFMS em Três Lagoas teve destaque nacional por apresentar 100% de proficiência entre seus alunos avaliados.

Consequências nacionais e direito à defesa

No panorama nacional, o resultado foi considerado grave: das 351 graduações em Medicina avaliadas, 107 (cerca de 30%) ficaram com conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os cursos mal avaliados estão sujeitos a penalidades que variam de acordo com a nota.

Instituições com conceito 2, como as duas de MS, terão redução no número de vagas de ingresso. Já as com conceito 1 sofrerão suspensão total do ingresso de novos estudantes.

O ministro da Educação, Camilo Santana, detalhou que, dos 107 cursos com notas baixas, apenas 99 passarão efetivamente por sanções. Isso porque faculdades mantidas por estados e municípios não estão sob a gestão direta do MEC. Santana reforçou que o objetivo da avaliação é a melhoria da qualidade.

“É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”. As instituições terão um prazo para apresentar defesa administrativa contra os resultados.

Contexto da avaliação e tentativa de barrar divulgação

O Enamed é uma prova anual aplicada pelo Ministério da Educação para avaliar a formação dos estudantes de Medicina. Na edição de 2025, participaram cerca de 89 mil alunos de todo o país, sendo aproximadamente 39 mil concluintes.

Desses formandos, que em breve ingressarão no mercado de trabalho, apenas 67% alcançaram um resultado considerado “proficiente”, o que significa que quase 13 mil alunos não demonstraram conhecimento considerado suficiente na avaliação.

A divulgação dos resultados quase foi adiada por uma ação judicial. No fim de semana anterior, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) entrou com um pedido liminar para barrar a publicação, alegando falhas regulatórias e danos reputacionais. A Justiça Federal, no entanto, negou o pedido, considerando que o interesse público na transparência da avaliação era preponderante.

O que os dados revelam sobre o tipo de instituição

A análise dos resultados por categoria de mantenedora expõe uma disparidade marcante. As piores avaliações se concentraram em instituições públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nas faixas 1 e 2. Em seguida, aparecem as instituições privadas com fins lucrativos, com 58,4% de seus cursos nessa condição.

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Resultado aponta abismo na qualidade de ensino entre instituições púbicas e privadas

Na ponta oposta, os melhores desempenhos foram dominados pelo setor público federal e estadual. Nas universidades federais, 87,6% dos cursos alcançaram conceitos 4 ou 5. Entre as estaduais, esse percentual foi de 84,7%. Esses dados nacionais ecoam o cenário observado em Mato Grosso do Sul, onde as notas baixas foram em instituições privadas e as excelentes, em públicas.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da divulgação ao lado de Camilo Santana, destacou a importância do exame para a qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Ter médicos e médicas bem formados, com avaliação permanente e alinhados às novas diretrizes curriculares, é fundamental”.

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