Haddad afirma que dívida pública é problema dos juros e não do déficit
Juros e déficit
Fernando Haddad abordou de forma direta a origem das pressões sobre a dívida pública e atribuiu o problema ao custo do financiamento, ressaltando a trajetória recente do resultado fiscal. “Em dois anos, nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”
Ao explicar a exigência das metas fiscais, Haddad reforçou que o governo elevou o padrão de resultados e que a ambição para o ano em curso supera a dos exercícios anteriores. “Inclusive, a meta para esse ano é uma meta ainda mais exigente de resultado primário do que foi o ano passado, do que foi o ano retrasado e do que foi o primeiro ano de governo. Nós estamos subindo o sarrafo das exigências”
O ministro também confrontou projeções anteriores sobre o déficit para demonstrar a diferença entre cenários. “Se você pegar o déficit projetado para 2023 do [governo Jair] Bolsonaro, dividindo pelo PIB do ano, você tem um déficit superior a 1,6% do PIB. E quanto foi o déficit do ano passado, considerando todas as exceções? Foi de 0,48%, isso considerando todas as exceções como o Plano Brasil Soberano, por causa do tarifaço, e a questão do INSS, que nós devolvemos dinheiro para os lesados pela quadrilha que se apropriou do INSS”
Política monetária e regulação
Sobre a taxa básica de juros, Haddad avaliou que existe espaço para redução da Selic, atualmente situada em 15% e citou a atuação do presidente do Banco Central no contexto de desafios institucionais. “Óbvio que, quando me perguntam [sobre esse tema], eu falo que tem espaço para cortar [os juros] porque eu acho que tem.”
Ao comentar episódios recentes de supervisão financeira, o ministro elogiou a condução do Banco Central diante de problemas herdados e enfatizou a necessidade de ampliar competências da autoridade monetária. “Eu dizia que ele herdou um problema que só vai ser conhecido depois. Ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”
Haddad apresentou proposta em debate no Executivo para transferir a fiscalização de fundos de investimentos para o Banco Central, alegando que a atual divisão regulatória está equivocada e mencionando efeitos sobre a contabilidade pública. “Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente. O Banco Central tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos.”
Complementando a justificativa sobre intersecções entre mercados e contas públicas, o ministro citou operações financeiras que afetam o registro fiscal. “A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”
Questionado sobre apelidos nas redes sociais relacionados à política tributária, Haddad acolheu a lembrança e listou medidas que atribui a sua gestão em relação à tributação de segmentos antes pouco tributados. “Fico muito feliz de ser lembrado como o único ministro da Fazenda dos últimos 30 anos que taxou offshore, que taxou fundo familiar fechado, que taxou paraíso fiscal e que taxou dividendo. A taxação BBB saiu do papel: banco, bet e bilionário foram taxados. Então, eu assumo que essa turma que não pagava imposto, sim, voltou a pagar.”
Ao tratar do cenário eleitoral, Haddad avaliou que indicadores econômicos são relevantes, mas não necessariamente decisivos nas escolhas eleitorais, e apontou outras preocupações presentes nas pesquisas. “A economia no mundo inteiro está sendo um elemento muito importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição” Segundo o ministro, pesquisas têm apontado temas como segurança pública e combate à corrupção entre os maiores receios da população.
Haddad não pretende concorrer a cargo público nas próximas eleições e tem mantido diálogo sobre o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem definição final sobre o tema

