Nova Zelândia registra recorde reprodutivo do papagaio mais pesado do mundo

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Um evento biológico raro na Nova Zelândia renovou as esperanças de conservacionistas para a sobrevivência do kākāpō. A frutificação em massa da árvore nativa rimu ofereceu nutrientes essenciais para impulsionar a temporada de acasalamento mais prolífica já registrada para a espécie. Autoridades e pesquisadores preveem o nascimento de mais de 50 filhotes neste ciclo reprodutivo.

Andrew Digby, biólogo do Departamento de Conservação da Nova Zelândia, monitora a espécie há mais de uma década e observa o impacto positivo da alimentação na atividade reprodutiva. “Tecnicamente, é um pássaro. Mas na verdade, eles são mais como a versão aviária de um texugo”.

O kākāpō é considerado o papagaio mais pesado do mundo e pode atingir até 3,6 quilos. Essas aves noturnas não voam e possuem uma expectativa de vida que chega aos 90 anos. A população atual é de apenas 236 indivíduos em todo o país e depende de esforços intensivos de proteção contra predadores para se restabelecer.

Os rituais de acasalamento dessa espécie são únicos entre os papagaios e envolvem um sistema conhecido como reprodução em lek. Os machos se reúnem em áreas comuns para exibir seus atributos às fêmeas através de performances sonoras. “É basicamente uma competição de canto”.

Para atrair parceiras, os machos limpam áreas no solo em formato de tigela e emitem sons de baixa frequência que podem durar meses. “Eles se inflam como uma bola de futebol e então fazem o estrondo”. O som produzido assemelha-se mais a uma caixa de som grave do que ao canto tradicional de uma ave.

A vulnerabilidade do kākāpō surgiu após milhões de anos de isolamento evolutivo sem a presença de mamíferos predadores. A chegada de assentamentos humanos e a introdução de animais como ratos, gatos e doninhas dizimaram a espécie. Na década de 1970, as autoridades locais chegaram a ter dificuldades para localizar um único pássaro vivo.

Um plano de resgate ousado foi implementado entre 1980 e 1997 para evitar a extinção total. Todas as aves encontradas foram transferidas para três ilhas santuário onde predadores não nativos foram erradicados. O uso de transmissores permite aos cientistas monitorar a saúde, a nidificação e os parceiros de acasalamento de cada indivíduo.

Os números populacionais subiram lentamente de 51 indivíduos em 1995 para os atuais mais de 200. O sucesso do programa de reprodução levanta a possibilidade de reintroduzir a espécie no continente no futuro. “Eles costumavam ser o quarto pássaro mais comum na Nova Zelândia, estavam absolutamente em todos os lugares. E queremos trazê-los de volta”.

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