Protestos no Irã são contidos após repressão que ampliou presença militar
Uma repressão que deixou mortos parece ter contido amplamente os protestos no Irã por enquanto, segundo um grupo de direitos humanos e moradores, e a mídia estatal informou novas prisões nesta sexta-feira 16.
De acordo com informações da Casa Branca, o presidente norte-americano Donald Trump está monitorando de perto a situação e sua equipe alertou Teerã de que haveria “graves consequências” se as mortes ligadas à repressão prosseguissem.
Segundo a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, Trump entende que 800 execuções programadas foram interrompidas e o presidente está mantendo “todas as suas opções sobre a mesa”.
Temores de intervenção militar dos Estados Unidos recuaram desde quarta-feira, quando o presidente afirmou ter sido informado de que as mortes na repressão estavam diminuindo, e aliados dos EUA realizaram intensa diplomacia para afastar a possibilidade de ataque.
Relato de moradores e grupo de direitos
Vários moradores de Teerã relataram que a capital estava tranquila desde domingo, com drones sobrevoando a cidade e ausência de sinais de protesto na quinta-feira e na sexta-feira, e não quiseram ser identificados por motivos de segurança.
Conforme o grupo de direitos curdo-iraniano Hengaw, com sede na Noruega, “o ambiente de segurança continua altamente restritivo” e “Nossas fontes independentes confirmam forte presença militar e de segurança em cidades e vilas onde os protestos ocorreram anteriormente, bem como em vários locais que não sofreram grandes manifestações”.
Um morador de uma cidade do norte, no Mar Cáspio, também relatou que as ruas pareciam calmas, reforçando os relatos de retração nos atos públicos.
Contexto e origem dos protestos
Os protestos começaram em 28 de dezembro motivados pelo aumento da inflação em um país cuja economia foi prejudicada por sanções e, desde então, se transformaram em um dos maiores desafios enfrentados pelo establishment clerical que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Com o fluxo de informações afetado por um apagão na internet, a verificação das manifestações ficou dificultada, e o grupo Hengaw relata que o ambiente de segurança permanece restrito em diversas regiões onde houve aglomerações.
Autoridades do Golfo informaram que aliados dos Estados Unidos, incluindo a Arábia Saudita e o Catar, pressionaram Washington nesta semana para evitar uma ação militar, alertando sobre as consequências para a região que, em última análise, afetariam os EUA.
As informações acima foram compiladas a partir de relatos de moradores, relatórios de grupo de direitos humanos e comunicações oficiais da Casa Branca

