Polícia e Ministério Público apuram uso de traje nazista por adolescente em baile de formatura no RN
A conduta de um adolescente durante um baile de formatura em Mossoró motivou a abertura de investigações pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte. O jovem compareceu ao evento, realizado no último sábado (10), vestido com um uniforme similar ao utilizado pelo exército alemão na Segunda Guerra Mundial e realizou gestos associados ao nazismo.
O episódio ocorreu durante a celebração de concluintes do curso de medicina da Facene Mossoró e ganhou repercussão após a circulação de imagens nas redes sociais. Nos registros, o rapaz aparece com o traje militar executando a saudação conhecida como “Heil Hitler”.
A apuração dos fatos está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA). A 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró instaurou um procedimento extrajudicial para identificar os envolvidos e coletar dados preliminares. O processo tramita em segredo de Justiça devido à idade do investigado.
Um vídeo divulgado por um blog local, supostamente com autorização familiar, traz o posicionamento do adolescente sobre o ocorrido. Ele afirmou ter apreço pela caracterização de personagens históricos e alegou ter interpretado a vestimenta apenas como uma fantasia, reconhecendo o erro e pedindo desculpas.
A empresa responsável pela organização da festa, Master Produções e Eventos, informou que o menor chegou ao local acompanhado dos pais após as 23h, trajando roupas adequadas. A troca pelo uniforme militar teria ocorrido de forma pontual para registros fotográficos de cunho pessoal, sem o conhecimento da equipe de cerimonial.
A instituição de ensino Facene Mossoró manifestou repúdio ao incidente. A faculdade esclareceu que o baile não se tratava de um evento oficial e não contou com qualquer participação, promoção ou financiamento acadêmico.
A legislação brasileira tipifica a apologia ao nazismo como crime, enquadrado na Lei do Racismo, sendo inafiançável e imprescritível. No caso de menores de 18 anos, a conduta é considerada ato infracional e sujeita o autor a medidas socioeducativas.

