Governo brasileiro lamenta mortes no Irã e defende soberania iraniana

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O governo federal divulgou nesta terça-feira uma nota do Ministério das Relações Exteriores em que lamenta as mortes ocorridas nas manifestações no Irã e informa que a embaixada em Teerã está atendendo a comunidade brasileira no país, sem registro de brasileiros entre mortos e feridos. “Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”.

As manifestações começaram em 28 de dezembro motivadas por aumento no custo de vida e pela desvalorização da moeda. Em 2025 o rial perdeu quase metade do seu valor frente ao dólar e a inflação atingiu 42,5% em dezembro, em um contexto marcado por sanções dos Estados Unidos e ameaças de ataques de Israel. Autoridades iranianas têm respondido aos protestos com força letal e, conforme informações de organizações não governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes.

As autoridades de Teerã acusam potências estrangeiras de instigar os acontecimentos e têm indicado possíveis retaliações, incluindo ameaças a bases norte-americanas. O presidente do Irã Masoud Pezeshkian afirmou que protestos pacíficos são tolerados no país, mas que os distúrbios recentes são provocados por “terroristas do estrangeiro”, para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel.

No plano internacional, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou a intenção de impor uma tarifa de 25% sobre “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã” e vem ameaçando uma intervenção militar. O governo brasileiro acompanha o anúncio e aguarda a publicação da ordem executiva americana para definir posicionamento oficial, avaliando potenciais efeitos sobre o comércio.

O impacto econômico preocupa Brasília porque, apesar de o Irã representar uma fatia pequena das exportações brasileiras, o comércio bilateral atingiu quase US$ 3 bilhões em 2025, com o agronegócio sendo o principal beneficiário das trocas. Autoridades federais seguem monitorando desdobramentos diplomáticos e comerciais enquanto reforçam apelos por diálogo e pela proteção de civis.

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