Roblox afirma que capturar pedófilos é função do Estado e proíbe justiceiros

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A pressão sobre o Roblox para combater o abuso infantil resultou em posicionamentos firmes da diretoria sobre o papel dos usuários na segurança digital. Matt Kaufman, diretor de proteção da companhia, esclareceu que a responsabilidade de prender criminosos pertence ao poder público e não aos jogadores. A declaração ocorre após o banimento, em agosto de 2025, de perfis que se passavam por menores de idade para atrair e denunciar pedófilos.

A prática de vigilância por conta própria é desencorajada pela plataforma. Kaufman argumenta que a identificação de crimes deve seguir trâmites legais para garantir a segurança de todos os envolvidos. “É um fato conhecido que o ‘vigilantismo’ [prática de justiceiros] não é algo considerado seguro pelas autoridades. Devemos deixar a aplicação da lei para as autoridades.”

A remoção desses justiceiros digitais gerou críticas da comunidade e motivou pedidos pela saída do executivo. A empresa sustenta que a violação dos termos de uso, como mentir sobre a idade real, é passível de punição independentemente da motivação nobre do usuário. “Quando alguns usuários violam as regras, não são honestos sobre a própria idade ou pedem que outros migrem de plataforma, a intenção deles não importa. Eles estão descumprindo nossas regras e nós pediremos que parem; se continuarem a violá-las, serão removidos da plataforma.”

Monitoramento e cooperação policial

O combate a crimes sexuais na plataforma envolve parcerias institucionais para o repasse de informações. A empresa atua em conjunto com a NCMEC, organização americana que encaminha denúncias à Polícia Federal quando identifica ilícitos envolvendo brasileiros. Dados de 2024 apontam que a entidade enviou à PF 593 mil denúncias de abuso sexual infantil online, baseadas em relatórios de diversas plataformas, incluindo o Roblox.

O estreitamento de laços com órgãos de segurança é uma prioridade para a gestão de segurança da companhia. “Estamos investindo no fortalecimento de relações diretas com autoridades locais, o que inclui o Brasil, para que possamos oferecer orientação e recursos caso surjam dúvidas.”

Recursos técnicos reforçam essa estratégia de vigilância interna. As conversas no chat da plataforma não possuem criptografia e são monitoradas, sendo proibido o compartilhamento de imagens ou vídeos. Um sistema de inteligência artificial, cujo código foi aberto para uso de outras empresas, rastreia padrões de aliciamento ao longo do tempo.

Adaptação às leis brasileiras

A operação da empresa no Brasil passa por ajustes para cumprir a legislação local. O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, sancionado pelo presidente Lula, proibiu as chamadas loot boxes. Esses itens oferecem recompensas aleatórias pagas com dinheiro real e são comparados a jogos de azar por especialistas.

As empresas de tecnologia possuem prazo até 13 de fevereiro para apresentar medidas de adequação. Kaufman garantiu o compromisso com as normas nacionais. “Forneceremos aos nossos desenvolvedores as ferramentas necessárias para criar conteúdos que possam operar em qualquer lugar do mundo.”

Novas ferramentas de controle de acesso também foram implementadas globalmente. Crianças agora precisam passar por uma estimativa de idade via vídeo para interagir nos chats das experiências. O sistema limita a comunicação a usuários de faixas etárias similares e já abrange quase metade do público diário nas regiões onde o recurso é obrigatório.

Apesar das medidas, a gestão de Kaufman enfrenta questionamentos diretos sobre a eficácia da moderação. Um influenciador acusou o executivo de acessar jogos com conteúdo explícito que violavam as regras e só foram banidos meses depois. Ao ser questionado sobre o tema, ele evitou entrar em detalhes sobre o caso específico. “Temos políticas mais rígidas do que literalmente qualquer outra plataforma usada por crianças e adolescentes. Tenho orgulho do trabalho da nossa equipe.”

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