Acordo UE-Mercosul é aprovado provisoriamente por maioria de Estados-membros
Em reunião realizada na manhã desta sexta-feira, embaixadores dos Estados-membros indicaram apoio majoritário à conclusão provisória das negociações do Acordo UE-Mercosul, iniciadas há 25 anos, mas o Conselho da União Europeia não anunciou oficialmente a assinatura do texto.
Reações políticas
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, saudou o desfecho provisório e colocou a decisão no âmbito da política comercial e estratégica europeia.
“O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”
“Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos – precisamos avançar mais rápido”
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, manifestou emoção com a existência de maioria favorável, embora seu país tenha registrado voto contrário.
“Estou emocionada! Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE para [a assinatura] do acordo com o Mercosul”
“Não é nenhum segredo que eu esperava que a Áustria apoiasse o acordo também. Porque uma coisa é clara: nossa economia, nossos negócios e nossa prosperidade se beneficiarão enormemente disso”
“Isso é especialmente crucial, pois a ordem global está passando por mudanças maciças – a Europa, e a Áustria também precisa de novos parceiros. Temos agora de aprofundar os nossos laços com outras regiões do mundo”
O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, afirmou que além de seu país e da Áustria, embaixadores da França, Hungria e Irlanda também se posicionaram contra a iniciativa, e ressaltou riscos ao setor agrícola polonês.
“Se a Itália estivesse do nosso lado, o acordo seria bloqueado”
“Infelizmente, as consequências desta decisão afetarão todos nós. Repito o que tenho dito: vamos proteger os agricultores poloneses”
O próprio Krajewski indicou que o Parlamento polonês já vem propondo mecanismos legais para proteger a produção nacional e garantir eventuais compensações ao setor.
Impacto econômico e próximos passos
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, Acea, destacou o caráter simbólico e econômico do avanço e projetou efeitos concretos sobre tarifas e barreiras técnicas.
“momento marcante e um sinal claro de que a Europa quer manter uma economia forte, aberta e focada no comércio”
Conforme a entidade, a assinatura do acordo reduzirá “de forma muito significativa” as tarifas sobre automóveis fabricados na UE, hoje de até 35 por cento, eliminará obstáculos técnicos ao comércio e fortalecerá cadeias de abastecimento de matérias-primas críticas.
“A Acea insta agora os tomadores de decisões políticas do Parlamento Europeu a ratificar rapidamente o acordo para que todos os setores envolvidos se beneficiem rapidamente das vantagens comerciais e estratégicas do acordo”
Segundo a agência de notícias Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros indicaram as posições de seus governos na manhã de sexta-feira, com cada país obrigado a confirmar o voto por escrito até as 17h, horário de Bruxelas, correspondente a 13h em Brasília.
Ainda de acordo com a Reuters, ao menos 15 países que juntos representam pelo menos 65 por cento da população do bloco votaram a favor da assinatura, percentual exigido pelos procedimentos comunitários para validar a decisão.
Se a confirmação por escrito ocorrer dentro do prazo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá deslocar-se ao Paraguai já na próxima semana para formalizar a assinatura com os países-membros do Mercosul, bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O texto precisará ser posteriormente aprovado pelo Parlamento Europeu para que entre em vigor, e Estados-membros contrários têm indicado que buscarão medidas nacionais ou europeias destinadas a compensar ou proteger setores impactados, em particular a agricultura.

