Rússia usa mísseis com capacidade nuclear em ataque à Ucrânia
Ataque russo com armamento avançado atinge infraestrutura estratégica ucraniana, enquanto autoridades ucranianas denunciam grave ameaça à segurança europeia e rechaçam justificativas de Moscou
A Rússia anunciou ter realizado um ataque de grande escala contra a Ucrânia utilizando mísseis hipersônicos capazes de transportar ogivas nucleares. Embora não haja indicações de que os projéteis lançados nesta madrugada estivessem equipados com carga nuclear, a ofensiva resultou na morte de ao menos quatro pessoas e deixou 22 feridos, conforme informações de autoridades ucranianas. A Força Aérea da Ucrânia registrou o lançamento de 36 mísseis e 242 drones. O Ministério da Defesa Russo justificou a ação como uma resposta a uma suposta tentativa de ataque à residência do presidente Vladimir Putin, em dezembro de 2025, acusação que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prontamente negou.
Os alvos da investida russa incluíram a infraestrutura energética ucraniana, essencial para o complexo militar-industrial do país e para as fábricas de drones. Os mísseis hipersônicos, conforme destacado, superam em mais de cinco vezes a velocidade do som, o que os torna extremamente difíceis de detectar e interceptar pelos sistemas de defesa.
O sistema de mísseis ativado na ofensiva russa, conhecido como Oreshnik, foi utilizado pela primeira vez em novembro de 2024 em um disparo experimental contra uma fábrica na cidade de Dnipro, na Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, expressou grande preocupação, afirmando que o ataque russo com o Oreshnik, por sua proximidade com as fronteiras da União Europeia e da OTAN, configura uma “grave ameaça” à segurança de toda a Europa. Sybiha informou estar em contato com os Estados Unidos e a Europa, detalhando os acontecimentos e solicitando aos parceiros que intensifiquem a pressão sobre a Rússia.
A acusação russa, que motivou a recente ofensiva, envolve a alegação de que a Ucrânia teria atacado a residência oficial do presidente russo na região de Novgorod, nos dias 28 e 29 de dezembro, com o uso de 91 drones de longo alcance.
Volodymyr Zelensky rotulou as afirmações russas como “mentiras”, sugerindo que Moscou estaria tentando frustrar os avanços nas negociações de paz entre Ucrânia e EUA e, ao mesmo tempo, preparando o terreno para futuros ataques a edifícios governamentais ucranianos. Essa acusação russa surgiu um dia após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que estaria “muito perto” de finalizar um plano de paz para a Ucrânia, apesar de admitir que as negociações enfrentavam impasses em pontos cruciais, especialmente no que se refere ao controle de territórios.
A declaração de Trump ocorreu após um encontro de mais de duas horas com Zelensky, na Flórida. A Ucrânia, por sua vez, classificou a tentativa russa de justificar o ataque repetindo a alegação sobre a residência de Putin como “absurda”.

