Vice da Venezuela afirma que país resistirá e não será colônia dos Estados Unidos
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, exigiu a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ao reagir a ataques que, segundo o governo venezuelano, foram executados por militares dos Estados Unidos e culminaram na captura do chefe de Estado.
“Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, o único presidente da Venezuela, e de sua esposa, Cilia Flores. Se há algo que o povo venezuelano e este país têm absolutamente certeza, é que jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império”
O pronunciamento foi feito em cadeia nacional de rádio e TV e ocorreu logo após a coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando ele mencionou que Washington teria papel de governo até uma “transição segura” e admitiu que empresas norte-americanas explorariam o petróleo venezuelano.
Delcy relatou que Maduro foi “sequestrado” por volta de 1h58min da madrugada deste sábado e reiterou que a ofensiva estrangeira teria como objetivo o controle dos recursos naturais venezuelanos sob falsos pretextos.
“Todo o poder nacional da Venezuela foi acionado. Temos o dever sagrado de salvaguardar nossa independência nacional, nossa soberania e nossa integridade territorial, que foram brutalmente atacadas nas primeiras horas desta manhã”
Em continuidade às medidas anunciadas, a vice-presidente afirmou que, por decreto assinado por Maduro, foram ativados todos os órgãos do Estado para a proteção do território e convocou uma união entre as forças do país para a defesa da soberania.
“Que essa fusão policial-militar-popular se converta em um só corpo e saiamos nessa etapa maravilhosa de defesa da nossa soberania, da nossa independência nacional”
O Conselho de Defesa da Nação se reuniu com a presença do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e da presidente do Tribunal Superior de Justiça, Caryslia Rodríguez, entre outras autoridades, conforme informações oficiais divulgadas pelo governo venezuelano.
Delcy agradeceu manifestações de apoio de outros países e alertou para o risco de que o mesmo tipo de intervenção possa atingir nações além da Venezuela. “O que fizeram com a Venezuela hoje podem fazer com qualquer um. Esse uso brutal da força para quebrar a vontade do povo pode ser feito com qualquer país”
Contexto e reações
O episódio foi classificado como um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão de grande escala da Casa Branca na região remonta a 1989, quando tropas norte-americanas entraram no Panamá e capturaram o então presidente Manuel Noriega.
O governo norte-americano havia oferecido, conforme divulgado, uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro. Além disso, Washington atribuiu a Maduro a liderança de um suposto cartel denominado De Los Soles, acusação que, segundo especialistas em tráfico internacional de drogas citados por analistas, ainda não foi comprovada e é questionada.
Criticas observam que a ação pode ter finalidade geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de parceiros multilaterais como China e Rússia e ampliar o controle sobre as vastas reservas de petróleo do país, que são as maiores certificadas no planeta.
As autoridades venezuelanas dizem ter acionado todas as estruturas do Estado para proteger o território e trabalharam sua comunicação pública com a chamada à calma e à unidade entre instituições civis, forças de segurança e a população.
O caso segue em desenvolvimento, com tensão diplomática e repercussão internacional, enquanto o governo venezuelano mantém a posição de que o presidente legítimo é Nicolás Maduro e exige sua imediata libertação.

