PIB dos municípios de MS dispara 13,4% e descentraliza riqueza agroindustrial
O avanço do Produto Interno Bruto estadual, quatro vezes superior ao índice nacional, foi impulsionado pela agropecuária e por investimentos estratégicos em infraestrutura.
Mato Grosso do Sul alcançou R$ 184 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB) em 2023, registrando uma variação de 13,4% em relação ao ano anterior. Este índice representa o segundo maior crescimento percentual do Brasil, ficando atrás apenas do Acre (14,1%), e é quatro vezes superior à média nacional, que foi de 3,2%, conforme dados do IBGE compilados pela Assessoria de Economia da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
O crescimento expressivo do PIB dos municípios de MS foi notado em todas as regiões, mas ganhou destaque nas áreas que possuem forte presença do setor agropecuário e da agroindústria. O estudo demonstra que a combinação da produção do campo, a industrialização do agronegócio e a ampliação da infraestrutura foram os pilares que garantiram o dinamismo econômico e ampliaram as oportunidades de desenvolvimento local.
Jaime Verruck, secretário da Semadesc, enfatizou que, embora todos os municípios tenham sido beneficiados pelo aumento da riqueza estadual, o levantamento foca na distribuição territorial. “O que se demonstra agora é a distribuição regional desse crescimento, onde aconteceram os maiores impactos, embora todos os municípios tenham sido beneficiados”.
Um dos resultados da política de incentivos do Governo do Estado é a desconcentração das riquezas, favorecendo cidades de pequeno e médio portes. Em 2010, as dez maiores economias sul-mato-grossenses (lideradas por Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Maracaju) concentravam 65,54% do PIB estadual. Em 2023, essa participação recuou para 60,74%, sendo que nenhum município registrou redução em seu valor nominal do PIB.
Verruck observou que o espraiamento do crescimento está ligado a dois vetores principais. “Temos um espraiamento do crescimento da agropecuária, que impacta o PIB dos municípios das regiões de Dourados, Ponta Porã, Maracaju, e outro fator é o investimento agroindustrial que nós já tínhamos detectado no PIB do Estado, mas agora vamos olhar isso do ponto de vista territorial”.
Reposicionamento das Maiores Economias
Apesar da descentralização, Campo Grande, Dourados e Três Lagoas continuaram como as três maiores economias do estado, concentrando parcela significativa das riquezas. Contudo, houve um reposicionamento dentro do grupo de líderes.
Dourados, por exemplo, ampliou sua participação global no PIB estadual em 0,7 ponto percentual, marcando a maior variação positiva entre os grandes. Em contraste, Campo Grande registrou um recuo de 1,3 ponto. Outras cidades que apresentaram crescimento na participação total do PIB foram Ribas do Rio Pardo, Ponta Porã, Naviraí e Inocência, demonstrando o aumento da participação de municípios de pequeno e médio portes.
O secretário da Semadesc ressaltou que o aumento da participação dos municípios de pequeno e médio portes indica um maior dinamismo da economia na busca pela redução gradual da desigualdade, distribuindo oportunidades de negócios e empregos.
PIB Per Capita e o Impacto da Infraestrutura
O PIB per capita estadual, que mede a distribuição da riqueza gerada pelo número de habitantes, atingiu R$ 66,8 mil em 2023. Esse valor coloca Mato Grosso do Sul na 6ª posição no ranking nacional, bem acima do índice per capita do Brasil para o período, que ficou em R$ 51.693,92.
Os cinco municípios sul-mato-grossenses com o maior PIB per capita são: Selvíria (R$ 330.535,28), Paraíso das Águas (R$ 252.215,19), Jateí (R$ 203.563,32), Laguna Carapã (R$ 184.975,76) e Ribas do Rio Pardo (R$ 144.850,38).
A alta posição de Selvíria é explicada pelo fato de a sede da usina hidrelétrica de Ilha Solteira estar estabelecida no município. Já Paraíso das Águas, Jateí e Laguna Carapã são grandes produtores agropecuários com pouca densidade populacional, o que eleva o índice individual. O município de Ribas do Rio Pardo entrou para a lista devido ao impacto da instalação da indústria de celulose da Suzano.
Segundo o secretário, são “regiões impactadas pela expansão da produção agropecuária, pelo fortalecimento das cadeias florestais e pela instalação ou ampliação de unidades industriais”.
Jaime Verruck ponderou que, em 2023, a indústria da Suzano ainda não estava em plena atividade, sugerindo que haverá um reposicionamento significativo no PIB nominal e per capita de Ribas do Rio Pardo nos próximos anos, assim como nos demais municípios da região que estão recebendo investimentos diretos ou indiretos das indústrias de celulose.

