Operação Pantanal registra queda histórica de focos e área queimada em 2025
O balanço final da Operação Pantanal de 2025 mostra redução expressiva tanto no número de focos de incêndio quanto na área consumida pelas chamas.
Até 2 de dezembro foram detectados 1.811 focos em Mato Grosso do Sul, cifra inferior aos 2.111 registrados no primeiro ano da série histórica iniciada em 1998, e a área total afetada pelo fogo alcançou 202.678 hectares, muito abaixo dos mais de 2,3 milhões de hectares queimados em 2024. A apresentação ocorreu na quarta-feira, 3, no auditório do Imasul durante o 6º Seminário em Manejo Integrado do Fogo.
O Governo do Estado atribui o desempenho a um conjunto de ações coordenadas que incluem prevenção, tecnologia, fiscalização integrada e qualificação de pessoal, com 929 brigadistas formados em 2025, além de condições climáticas ligeiramente mais favoráveis apesar do déficit hídrico persistente.
O presidente do Comitê Estadual do Fogo e assessor da Semadesc apresentou a avaliação institucional sobre a atuação conjunta entre os órgãos envolvidos na operação.
“Este é um ano que demonstra, de forma clara, que o esforço interinstitucional valeu a pena. O Comitê Estadual do Fogo trabalhou lado a lado com cada órgão envolvido para garantir que as ações fossem planejadas com antecedência, executadas com eficiência e avaliadas continuamente”
Após situar as ações do comitê, o representante destacou a estratégia adotada pelo estado como base para os resultados alcançados.
“A redução histórica dos incêndios não é resultado do acaso, mas de uma estratégia integrada, que envolve desde o manejo preventivo até a rápida mobilização das equipes de resposta. Mato Grosso do Sul alcança esses números porque adotou uma política baseada em dados, tecnologia e parceria entre instituições estaduais, municipais, federais e privados”
O Corpo de Bombeiros detalhou o trabalho de preparação e resposta que sustentou a operação, com 1.150 hectares submetidos a manejo preventivo, capacitação de 221 bombeiros militares e a formação de 929 brigadistas, além da instalação de bases avançadas no Pantanal para reduzir o tempo de resposta.
Na fase operacional, os bombeiros monitoraram 924 eventos detectados por satélite e combateram diretamente 88 desses focos, promovendo 1.105 ações de combate. No total, 1.298 militares foram mobilizados, com apoio de 60 viaturas, para atender 4.391 ocorrências registradas pelo SIGO, majoritariamente em áreas urbanas e periurbanas.
Ao explicar aspectos do emprego de efetivo e da atuação antecipada das equipes, a subdireção de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros trouxe cifras que indicam eficiência na logística e no emprego de recursos.
“É importante ressaltar que, ao longo de todo o ano, o Corpo de Bombeiros manteve um padrão consistente de qualidade no trabalho. Porém, do total de 180 militares previstos para cada ciclo da Operação, foi necessário empenhar apenas 120. Outro ponto fundamental é que, com essas equipes em campo, em diversos casos conseguimos combater os focos de incêndio antes mesmo de serem registrados pelos sistemas de monitoramento via satélite”
A Polícia Militar Ambiental e o Imasul relataram atuação conjunta em tempo real, com monitoramento integrado que permitiu reduzir o tempo de resposta e incrementar a qualidade das provas coletadas durante as fiscalizações.
Em 2025 foram feitas cerca de 750 vistorias, que geraram autuações que somam R$ 49 milhões, valores que seguem trâmite administrativo no Imasul e podem sofrer alterações conforme previsto em lei. As fiscalizações contemplaram tanto alertas de queimadas já consolidadas quanto o combate a focos ativos em tempo real, sendo esta última vertente a principal responsável pelas autuações.

O capitão responsável pela integração entre PMA e Imasul descreveu a mudança operacional promovida pelo alinhamento entre as instituições e as bases presentes em todo o estado.
“Este ano tivemos uma ação coordenada entre as duas instituições, Imasul e PMA. Embora já tivéssemos diversas edições da operação em anos anteriores, ainda não havia uma integração tão direta. Para alcançar um resultado mais efetivo, resolvemos compartilhar experiências e alinhar as informações, unindo a capacidade tecnológica do Imasul, com todo o suporte do Centro de Monitoramento, à capilaridade operacional da PMA, que possui bases avançadas espalhadas por todo o Estado”
O capitão explicou ainda a infraestrutura de plantão e a transmissão imediata de alertas que permitiram respostas mais céleres por parte das equipes em campo.
“Esses dados são repassados imediatamente às equipes em campo e, com sistemas mais avançados, o tempo de resposta melhorou significativamente, permitindo uma atuação muito mais rápida e eficiente. Essa integração foi determinante para o resultado diferenciado da operação”
O diretor-presidente do Imasul avaliou que os números refletem aprimoramento na governança ambiental e no uso de tecnologia para tomada de decisão.
“A operação demonstrou que o planejamento integrado funciona. Avançamos muito na capacidade de monitoramento e na articulação entre as instituições. Hoje, o Estado atua de forma coordenada, com resposta rápida, análise técnica e uso de tecnologia para apoiar decisões. Também investimos fortemente em prevenção, educação ambiental e manejo adequado do fogo, o que nos permitiu reduzir de forma histórica tanto os focos quanto a área queimada no Pantanal”
O gerente de Unidades de Conservação do Imasul destacou ações práticas de prevenção adotadas em unidades protegidas e o reforço da Sala de Situação para vigilância por satélite e coordenação operacional.
“Realizamos 1.500 hectares de queima prescrita em unidades de conservação, uma medida fundamental para prevenir grandes incêndios. Também ampliamos nossa Sala de Situação, equipada com sistemas avançados e imagens de satélite que nos permitem monitorar em tempo real. Essa combinação de prevenção, monitoramento e educação ambiental contribuiu para a redução significativa dos incêndios”
Em síntese, os órgãos envolvidos apontam que a convergência entre planejamento, capacitação, manejo preventivo e tecnologia foi determinante para que 2025 caminhe para ser o melhor ano da série histórica em termos de focos de calor em Mato Grosso do Sul.
