Dia Internacional da Onça-Pintada: Por que proteger o símbolo brasileiro da biodiversidade é essencial para o futuro das nossas florestas
O dia 29 de novembro foi definido para marcar o Dia Internacional da Onça-Pintada, com o objetivo de alertar sobre o aumento das ameaças que a espécie sofre em diferentes partes do planeta.
A onça-pintada é o maior felino das Américas, atua como bioindicadora do equilíbrio em um território e é considerada uma espécie, guarda-chuva, cuja proteção beneficia amplos ecossistemas.
No Brasil, a onça-pintada foi definida como Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade, por portaria do Ministério do Meio Ambiente, em 16 de outubro de 2018, conforme informação divulgada pelo Instituto Homem Pantaneiro e pelo ICMBio.

Avistamentos recentes e convivência no Pantanal
No Pantanal, há registros variados de presença de onça-pintada, com registros urbanos e em áreas remotas, incluindo Corumbá e Ladário, onde indivíduos têm sido avistados dentro e nas imediações das cidades.
Em Corumbá, um indivíduo vem sendo registrado na área urbana desde o começo deste ano, e relatos anteriores já apontaram avistamentos próximos ao Canal Tamengo e ao Mirante da Capivara.
Em 2023, pesquisadores registraram uma mãe e um filhote capturados em locais diferentes, o que ilustra tanto a capacidade de dispersão da espécie, como os desafios de manejo e reabilitação.
Ameaças atuais para a onça-pintada
O atual ciclo do PAN da Onça-pintada lista as principais ameaças, que incluem perda e fragmentação de habitat, com impactos como atropelamentos, construção de empreendimentos energéticos e perda de variabilidade genética.
Também são citadas a caça de retaliação, alimentada por fake news que fomentam conflitos entre pessoas e o felino, a caça esportiva e o tráfico de partes do animal.
Esses fatores combinados aumentam a pressão sobre populações já vulneráveis em regiões como o Pantanal, a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica.

Metas e objetivos do PAN Onça-pintada para 2025-2030
O trabalho de pesquisadores e instituições, incluindo a equipe do Instituto Homem Pantaneiro, definiu seis objetivos específicos para o ciclo 2025-2030 do PAN Onça-pintada, a política pública nacional coordenada pelo Cenap e vinculada ao ICMBio.
Manutenção ou aumento da conectividade funcional nas áreas de ocorrência dos grandes felinos, com foco na qualidade do habitat e diversidade genética.

Aprimoramento do sistema de combate aos ilícitos, tráfico de animais, suas partes e produtos, e redução do abate de grandes felinos em áreas estratégicas a serem identificadas pelo PAN.
Desenvolvimento de medidas de coexistência entre grandes felinos e seres humanos, de modo a diminuir os impactos negativos reais ou percebidos e promover a valoração da biodiversidade.
Desenvolvimento de estratégias de comunicação para diminuir o medo e aumentar a tolerância das pessoas com relação à presença de grandes felinos.
Aprimoramento dos procedimentos de resgate, recepção, manutenção, reabilitação e soltura de grandes felinos para buscar um manejo adequado.
Sistematização, ampliação e disseminação do conhecimento a respeito do tamanho populacional e diversidade genética, bem como o estado sanitário e epidemiológico das populações de grandes felinos.
Desafios para cumprir metas e reduzir desinformação
Os desafios são grandes, e o histórico mostra limitações de execução, com o primeiro ciclo do PAN Onça-pintada, 2010-2017, encerrado com 41% das ações previstas concluídas.
Segundo dados do ICMBio, 18% das medidas ainda ficaram para ser realizadas após o fim do ciclo, e, em torno de 40% do planejamento não conseguiu ser alcançado.
O enfrentamento das ameaças exige integração entre instituições, pesquisa contínua, educação ambiental e comunicação clara para reduzir o medo e combater fake news, com foco em coexistência e proteção efetiva da onça-pintada.
No Pantanal, iniciativas locais, como o monitoramento, coleta de dados e campanhas de educação ambiental do Instituto Homem Pantaneiro, e a participação em grupo de trabalho com 13 instituições, são exemplos práticos de esforços para conservar a espécie.

O Dia Internacional da Onça-Pintada funciona como lembrete, ainda que doloroso, de que proteger esse felino é preservar a saúde de paisagens inteiras, e que ações coordenadas entre governos, institutos e populações locais são essenciais para garantir futuro à espécie.

