Balneários e áreas de produção rural também foram afetados por água contaminada de minério no Pantanal
Balneários, áreas de plantio e animais foram atingidos pela água avermelhada com material de minério na região de Antônio Maria Coelho, zona rural de Corumbá. Moradores relataram impactos em diferentes pontos utilizados pela comunidade, enquanto fotografias mostram água vermelho-alaranjada em áreas naturais e espaços de lazer.
Entre os locais afetados estão pontos de água utilizados para banho e recreação. Os registros encaminhados ao Folha MS mostram um canal de pedras com água avermelhada e uma área de lazer com acúmulo de material da mesma coloração. A preocupação dos moradores envolve também os cursos d’água e as fontes naturais que fazem parte da rotina das famílias.

As plantações estão entre as atividades prejudicadas. Moradores que mantêm hortas e cultivos na região relataram que a água carregada de lama não pode ser utilizada na irrigação. Um dos entrevistados afirmou que o material poderia comprometer as plantas, além de representar prejuízo para quem depende da produção local.
Também foram relatados impactos sobre animais que vivem na região. A ocorrência amplia a preocupação para além das áreas residenciais e alcança espaços naturais utilizados pela comunidade e pela fauna local.

Comunidade relata mudanças nos cursos d’água
A relação dos moradores com as fontes naturais é antiga. Edeltrudes Corrêa de Oliveira, conhecida como Dona Edil, recordou que havia um córrego de água limpa atrás das residências e que a região possuía nascentes e cachoeiras frequentadas por visitantes de outras cidades.
“A gente nem precisava de água nas mangueiras. Tinha um córrego atrás das casas com água limpa e secou. Nós tínhamos água em abundância”, afirmou.
Parte da comunidade também depende do extrativismo e do beneficiamento da bocaiuva pantaneira, atividade desenvolvida principalmente por mulheres. Nathália Ziolkowski, diretora da ONG Ecoa, que acompanha os moradores, afirmou que a exploração mineral já provoca dificuldades para a atividade extrativista. A organização participou da estruturação da associação local e do centro de processamento da fruta, voltado à geração de renda e à autonomia econômica das famílias.
LHG afirma que impacto ocorreu após chuvas
Em nota, a LHG Mining afirmou que a comunidade sofreu impacto devido ao escoamento de água das estradas após as chuvas. A empresa declarou que está prestando assistência aos moradores e que a situação será resolvida com brevidade.
A manifestação não detalhou os efeitos sobre os balneários, as plantações e os animais mencionados pela comunidade, nem informou quais medidas foram adotadas para proteger esses locais e impedir que a água das estradas alcance outras áreas naturais.
Moradores também relatam problemas antigos relacionados à poeira e à circulação de caminhões que transportam minério. As reclamações envolvem diferentes empresas que atuam na região, entre elas LHG Mining e Vetorial.
