PUBLICIDADE
Núcleo financeiro de esquema com policiais movimentou R$ 1,3 milhão, diz denúncia do GAECO

PRF apreende cocaína em caminhão na BR-262

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul denunciou 23 pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa que desviava drogas apreendidas pela Polícia Civil para revendê-las a traficantes. Na acusação apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), cinco mulheres são apontadas como integrantes do núcleo financeiro, que teria movimentado mais de R$ 1,3 milhão em transferências relacionadas ao grupo.

Quatro das denunciadas são a mãe, duas irmãs e a companheira de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, apontado pela investigação como um dos articuladores do esquema. São elas Valdenice da Silva Gois, Ana Carolina da Silva dos Santos, Jéssica da Silva dos Santos e Rayane Luiz Vieira. A quinta mulher, Lavinia Carvalho da Luz, também é citada pelas movimentações bancárias investigadas.

Segundo a denúncia, familiares e outras pessoas ligadas a Lucas eram usadas para receber, transferir e distribuir valores obtidos com a comercialização dos entorpecentes. O dinheiro passava por diferentes contas, procedimento que, conforme os investigadores, dificultava a identificação da origem e dos destinatários dos recursos.

Transferências investigadas

Uma das principais movimentações identificadas pelo Gaeco envolve R$ 1.318.295,92 transferidos por Lavinia para contas de Lucas e da empresa L R Obras e Construções. A denúncia registra 21 operações entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024, período que coincide com negociações relacionadas a uma carga de 643 quilos de cocaína apreendida pela Polícia Civil. Parte desse carregamento teria sido desviada, segundo a acusação.

Os registros bancários também apontam transferências no sentido contrário. Contas ligadas a Lucas e à empresa teriam enviado R$ 238.473,96 para Lavinia em 44 operações. Já as movimentações financeiras entre Lavinia e Rayane somaram R$ 314.308,40, considerando transações nos dois sentidos.

Além das cinco mulheres, Matheus Gabriel Machado Bezerra e Wesley Benites Matos Pereira Duarte são apontados na denúncia como participantes das operações financeiras sob orientação de Lucas. O Ministério Público sustenta que integrantes desse núcleo recebiam vantagens econômicas pela colaboração.

Acusação envolve drogas apreendidas

A investigação descreve uma divisão de tarefas entre policiais e outros integrantes do grupo. Conforme o Gaeco, agentes públicos teriam usado suas funções para desviar entorpecentes apreendidos, enquanto outros participantes atuavam na identificação de carregamentos, na negociação com compradores e na movimentação do dinheiro.

Um dos episódios citados na denúncia envolve 30 quilos de pasta-base de cocaína apreendidos pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) em novembro de 2022. De acordo com a acusação, o carregamento teria sido oferecido a uma organização criminosa ligada aos irmãos Edmilson Santos Pereira e Itamar dos Santos Pereira por R$ 116 mil.

As apurações que levaram à Operação Infiltrados tiveram origem em investigações anteriores, chamadas Traquetos e Blindspot. O Gaeco afirma que o esquema teria funcionado entre 2021 e 2026 e envolvido policiais civis, militares, um policial penal e pessoas ligadas ao tráfico de drogas.

A denúncia foi apresentada em 9 de outubro, depois que a operação foi deflagrada em 24 de setembro. O Ministério Público pediu indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e a perda dos cargos públicos dos agentes acusados, conforme as medidas cabíveis.

A defesa do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa afirmou que ele provará a inocência e negou participação em práticas ilícitas. As acusações contra os denunciados ainda dependem de análise judicial.

PUBLICIDADE

Veja também