Restauração troca Arara por Dourado e corrige representação do Pantanal em mural da UFMS

Imagens: Ricardo de Carvalho

A restauração dos murais do Campus do Pantanal da UFMS, em Corumbá, vai substituir a figura de uma arara pela de um dourado em uma das pinturas criadas há 23 anos. A mudança foi definida pelo artista plástico Vinícius Ibanhez para reorganizar a representação dos quatro elementos da natureza dentro da obra.

Na composição original, o mural reunia uma arara e um tuiuiú. Segundo Ibanhez, as duas aves acabavam concentrando a representação no ar, enquanto a água, elemento diretamente ligado ao Pantanal, não aparecia com a mesma força na escolha dos animais.

A restauração abriu espaço para rever esse ponto sem abandonar a proposta criada no início dos anos 2000. A arara dará lugar ao dourado, peixe escolhido para assumir a representação da água e reforçar a ligação da pintura com os rios pantaneiros.

Imagens: Ricardo de Carvalho

Para o artista, a alteração funciona como uma correção feita mais de duas décadas depois da criação dos murais. Ibanhez considera o dourado uma das espécies mais representativas dos rios da região e destaca que a presença do peixe permite fechar a leitura pretendida para o conjunto.

Com a mudança, a composição passa a distribuir de forma mais direta os elementos fogo, terra, ar e água. O tuiuiú permanece associado ao ar, enquanto o dourado passa a representar o ambiente aquático que ocupa papel central na formação da paisagem pantaneira.

“Essa correção é importante, porque o pantanal é composto 80% quase 90% de água. Essa é uma das características do Pantanal, e no painel tínhamos tinha o tuiuiú e arara, dois elementos a ar. Como nós estamos falando dos elementos da natureza e por falar desse Pantanal, é uma correção que nós estamos fazendo, colocando o dourado, que é o rei do rio, inclusive é preservado hoje, não pode pescar, é o peixe mais importante do pantanal, é o símbolo, então a escolha para essa correção”, explicou Ibanhez.

A intervenção ocorre durante o trabalho de recuperação dos murais instalados na fachada do campus. A primeira etapa da restauração foi iniciada para recuperar cores e detalhes prejudicados por mais de duas décadas de exposição ao tempo. A substituição de um dos animais, porém, acrescenta uma mudança de conteúdo à obra e estabelece uma nova versão da composição que ficará no campus.

Vídeo: Ricardo de Carvalho
PUBLICIDADE

Veja também