Mato Grosso do Sul fica em último lugar em despesa liquidada com saúde entre 26 estados

Mato Grosso do Sul terminou 2025 com a menor despesa liquidada em saúde entre as 26 unidades da Federação com dados disponíveis no Siops. O Estado liquidou o equivalente a 10,83% da receita de impostos e, já em 2026, voltou a apresentar execução próxima desse patamar nos primeiros quatro meses do ano.

Em maio, levantamento publicado pelo Folha MS mostrou que R$ 696,7 milhões em recursos próprios haviam sido liquidados para a saúde entre janeiro e abril, equivalentes a 10,23% da receita considerada no balanço apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde à Assembleia Legislativa. O volume ficava R$ 120,2 milhões abaixo do valor correspondente a 12% naquele período.

A série dos primeiros quadrimestres mostra que a execução liquidada vem subindo, mas permaneceu abaixo desse percentual nos últimos quatro anos. O índice foi de 8,42% em 2023, passou para 8,67% em 2024, chegou a 9,60% em 2025 e alcançou 10,23% neste ano.

No fechamento de 2025, porém, Mato Grosso do Sul cumpriu formalmente o mínimo constitucional destinado à saúde. Isso ocorre porque a legislação considera a despesa empenhada para verificar o piso anual de 12%. Por esse critério, o Estado registrou 12,27%.

A diferença aparece quando se observa quanto desse dinheiro avançou na execução. Enquanto 12,27% foram reconhecidos para fins do piso, 10,83% chegaram à fase de liquidação, quando a administração reconhece que o serviço ou produto foi entregue. Pelo que efetivamente foi pago, o índice caiu para 10,37%, deixando Mato Grosso do Sul na penúltima posição entre os estados com dados publicados.

Execução próxima do piso atravessa governos

A discussão sobre o volume destinado à saúde acompanha o governo estadual há mais de uma década. Na campanha de 2014, o plano apresentado por Reinaldo Azambuja criticava o baixo investimento do governo anterior e apontava a necessidade de elevar os recursos aplicados no setor.

Unidade de saúde sobrecarregada na capital contrasta com dados anunciados ao longo dos anos por governo do estado e município

Depois de dois mandatos de Azambuja e da chegada de Eduardo Riedel ao governo, a série usada na análise das contas mostra que o percentual considerado para cumprimento constitucional permaneceu próximo do mínimo em boa parte dos últimos anos. Entre 2017 e 2025, o índice ficou entre 12,20% e 12,53% em sete dos nove exercícios analisados.

Ao avaliar as contas de 2025, o Tribunal de Contas considerou cumprido o piso de saúde, com aplicação de 12,27%, mas registrou ressalva sobre os restos a pagar. Segundo o parecer, o Estado não apresentou a relação que permitiria verificar o respaldo financeiro das despesas empenhadas e ainda não liquidadas.

Com os dados de 2026, a diferença entre o valor reservado no orçamento e aquele que chega à fase de liquidação continua aparecendo nas contas estaduais. No primeiro quadrimestre, apesar da melhora em relação aos três anos anteriores, a execução permaneceu pouco acima de 10% da receita considerada no balanço da saúde.

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