Fazenda alvo de operação contra trabalho escravo em MS pertence a candidato a deputado federal

Uma fazenda pertencente a Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira, 17 de setembro, em Porto Murtinho. No local, agentes encontraram 23 trabalhadores em situação trabalhista irregular e apreenderam 14 armas de fogo de grosso calibre e munições.

A ação, realizada em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego, investiga possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão e tráfico de pessoas para exploração de mão de obra. A PF informou que apura relatos de recrutamento informal de estrangeiros, falta de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e restrições para deixar a propriedade.

Carlos Bernardo confirmou ser o dono da fazenda, mas negou que os funcionários estivessem submetidos a condições de trabalho escravo. Segundo ele, a propriedade oferece estrutura adequada aos trabalhadores e a investigação teria motivação política.

“É uma perseguição implacável devido ao aumento da nossa popularidade para as eleições. Eu desconheço e abomino trabalho análogo à escravidão. Sempre preocupamos com o bem-estar dos nossos colaboradores. Eles não lavam nem o prato que comem, porque tem cozinheiras lá para atenderem, com quatro refeições por dia. Todos os quartos têm ar-condicionado”, afirmou.

Candidato nega ligação com armas

Durante o cumprimento do mandado, os agentes apreenderam 14 armas de fogo que, segundo a Polícia Federal, estavam em situação irregular. Algumas delas apresentavam a numeração suprimida.

Bernardo afirmou que não sabia da existência do armamento e disse que nunca determinou a compra ou o transporte de armas para a propriedade.

“Não tenho conhecimento de arma e nunca mandei comprar arma ou levar lá. A fronteira lá é violenta com roubo de gado. É de difícil acesso, próximo do Paraguai. Região conhecidíssima por furto de gado. É comum que moradores da região lá tenham armas. Em um local de 20 a 30 funcionários é muito difícil ter este controle”, justificou.

Ao comentar outras informações que teriam circulado sobre a operação, o candidato também negou qualquer envolvimento com drogas.

“Chegaram até a insinuar que poderia ser encontrado droga. Eu trabalho dos meus seis anos de idade até hoje. Jamais mexi com algo ilícito. É uma fazenda de cria, recria e engorda de gado”, concluiu.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para esclarecer as condições encontradas na propriedade, identificar possíveis responsáveis e verificar a participação de outras pessoas.

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