Brasil projeta comércio com Sudeste Asiático deve superar EUA e UE
Em Brasília, nesta terça-feira (18), o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, recebeu o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático Asean, o cambojano Kao Kim Hourn, e projetou uma mudança na geografia dos parceiros comerciais do país.
O ministro Mauro Vieira, ao tratar do ritmo de crescimento das exportações brasileiras para a região, colocou a previsão de avanço dos fluxos comerciais e observou a evolução dos vínculos recentes. “Nesse ritmo, o intercâmbio comercial deverá ultrapassar aquele com parceiros tradicionais do Brasil, como os EUA ou a União Europeia, no futuro próximo. O Brasil já exporta mais para a Singapura do que para a Alemanha. Exporta mais para a Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia do que para a França”
Dados apresentados na reunião mostram que o comércio entre Brasil e Asean cresceu dez vezes entre 2003 e 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, segundo informações oficiais do Itamaraty.
O encontro ocorreu em meio a um recente tarifaço dos Estados Unidos contra parte das exportações brasileiras, contexto em que o governo intensifica esforços para diversificar destinos e reduzir impactos comerciais apontados na agenda externa.
Vieira manifestou ainda o interesse do Brasil se tornar um “parceiro de diálogo” da Asean, condição hoje restrita aos Estados Unidos, à União Europeia, ao Japão, à Índia, à China, ao Canadá, à Rússia, à Austrália e à Coreia do Sul.
O chanceler destacou também objetivos compartilhados entre as regiões e colocou o Brasil como interlocutor para pautas globais. “Nossas regiões partilham o interesse em promover o desenvolvimento sustentável, ampliar os fluxos de comércio e investimentos e em fortalecer o Sul Global”
O representante da Asean reafirmou em Brasília a disposição de estreitar laços com o Brasil durante visita a convite do governo brasileiro, com agenda prevista até sexta-feira (21) e encontros com ministros, empresários e acadêmicos.
O secretário-geral Kao Kim Hourn apontou áreas de cooperação e qualificou a parceria atual entre a Asean e o Brasil. “A Asean atribui grande importância à parceria com o Brasil. Desenvolvemos uma das relações mais dinâmicas e sustentáveis na América Latina”
Em outra declaração no Itamaraty, Kao enfatizou compromissos comuns frente a desafios globais. “Ressalto ainda que a Asean e o Brasil compartilham um forte compromisso com o multilateralismo baseado em regras, o diálogo e a cooperação internacional. Esse é um ponto fundamental para que países desenvolvidos e emergentes enfrentem juntos seus desafios comuns”
Conforme divulgado pelo Itamaraty, o bloco, que reúne 11 países asiáticos incluindo Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste e Camboja, totaliza mais de 700 milhões de habitantes.
Em termos econômicos, os Estados-membros registraram crescimento conjunto do Produto Interno Bruto na última década, passando, de acordo com informações oficiais, de US$ 2,5 bilhões para US$ 4,5 bilhões, resultado que reforça o peso da região nas estratégias brasileiras de comércio e investimento.



