Quase metade dos moradores de Corumbá está com o nome negativado, revela Serasa

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Corumbá fechou o mês de julho com quase metade dos seus habitantes negativados nos cadastros de proteção ao crédito. O levantamento da Serasa mostra a existência de  49.364 consumidores inadimplentes no município, número que corresponde a 49,99% dos 98.751 moradores estimados pelo IBGE para a cidade em 2025. As dívidas somadas chegam a R$ 366,9 milhões.

O quadro em Corumbá acompanha uma tendência que já preocupa todo o Estado. Mato Grosso do Sul tinha 1.266.599 pessoas negativadas em janeiro e fechou julho com 1.313.053, alta de 3,7% em sete meses, que representa 46.454 novos nomes na lista de inadimplentes. Na comparação com julho do ano passado, quando o Estado somava 1.201.898 negativados, o crescimento chega a 9,2%, com 111.155 consumidores a mais na situação em apenas doze meses.

A comparação com Ponta Porã reforça a gravidade do problema em Corumbá. As duas cidades têm população proporcionalmente semelhantes já que Ponta Porã soma 98.598 habitantes segundo a mesma estimativa do IBGE, mas o número de negativados é bem diferente. Ponta Porã registra 40.285 inadimplentes, quase 9 mil a menos que Corumbá, e acumula R$ 307,3 milhões em dívidas, R$ 59,6 milhões abaixo do total pantaneiro.

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Cada morador negativado de Corumbá deve, em média, R$ 7,4 mil, valor obtido ao dividir o total de dívidas pelo número de consumidores inadimplentes. Entre as maiores cidades de Mato Grosso do Sul, Campo Grande lidera o ranking de negativados, com 500.375 consumidores e R$ 4,96 bilhões em débitos, seguida por Dourados, com 108.839 inadimplentes e R$ 983,8 milhões, e por Três Lagoas, que soma 59.426 negativados e R$ 480,7 milhões em dívidas.

Origem das dívidas

O estoque total de débitos no Estado chega a R$ 11,16 bilhões, distribuídos em 6,2 milhões de dívidas registradas. Bancos e cartões concentram a maior fatia, com 28,26% do total, seguidos por financeiras, com 18,24%. Contas de água, energia e outros serviços essenciais respondem por 17,58%, enquanto serviços em geral somam 14,04% e o varejo fecha a lista com 9,39%. Segundo a Serasa, os consumidores continuam buscando programas de renegociação, mas a procura ainda não é suficiente para conter o avanço da inadimplência.

Para o mestre em Economia Eugênio Pavão, o crescimento das dívidas está ligado à perda de poder de compra da população e ao aumento do custo de vida, que muda a própria função do crédito nas famílias.

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Dívidas com bancos e cartões de crédito lideram fatia do endividamento na cidade

“Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência”, avalia o economista.

Com quase 50 mil nomes negativados, Corumbá se aproxima de um cenário em que um em cada dois moradores enfrenta restrição de crédito, o que coloca o município entre os pontos mais críticos de endividamento em Mato Grosso do Sul.

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