Neno Razuk é entregue à PF em Corumbá após prisão na Bolívia e seguirá para presídio em Campo Grande
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, foi entregue às autoridades brasileiras após ser preso na Bolívia e passou pela sede da Polícia Federal em Corumbá, nesta segunda-feira (3). Condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão, ele deve ser transferido para Campo Grande, onde ficará à disposição da Justiça para definição da unidade prisisional em que cumprirá a pena.
Na unidade da Polícia Federal, o mandado de prisão expedido pela 4ª Vara Criminal foi formalmente cumprido. Segundo informações apuradas, o documento foi assinado pelo próprio ex-deputado e por seu advogado. A ordem judicial foi expedida pelo juiz José Henrique Kaster Franco.
A informação sobre a passagem de Neno Razuk por Corumbá foi confirmada por fontes da PD e o próprio advogado Roberto Razuk Neto, que acompanha os procedimentos na cidade.
A prisão ocorreu na noite de domingo (2), em território boliviano. Conforme as informações disponíveis, Neno Razuk foi abordado por policiais locais e apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação brasileira. Durante a fiscalização, as autoridades constataram que ele permanecia de forma irregular no país e efetuaram a prisão. Em seguida, ele foi entregue às autoridades brasileiras na fronteira.
O ex-parlamentar era considerado foragido desde 8 de julho, após a decretação de sua prisão. Embora a Justiça de Mato Grosso do Sul tenha autorizado, no último dia 28, a inclusão do nome dele na lista de Difusão Vermelha da Interpol, o procedimento internacional ainda não havia sido concluído quando ocorreu a detenção. Por isso, a captura não decorreu de um mandado internacional, mas da situação migratória irregular constatada pelas autoridades bolivianas.
Condenação decorre da Operação Successione
Neno Razuk foi um dos alvos da Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em dezembro de 2023 para investigar uma organização criminosa apontada como responsável pela exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Na ação penal, ele foi condenado em primeira instância pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Mesmo após a sentença, recorria em liberdade até a expedição do mandado de prisão.
Além da condenação já imposta, o ex-deputado também responde como réu na quarta fase da Operação Successione, realizada em novembro de 2025. A investigação apura supostos crimes de organização criminosa, roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção relacionada à exploração de jogos de azar.
Em maio deste ano, Neno Razuk perdeu o mandato de deputado estadual após a recontagem dos votos determinada pela Justiça Eleitoral. Com a saída da Assembleia Legislativa, deixou de possuir as prerrogativas institucionais do cargo, entre elas o foro por prerrogativa de função.
As investigações do Gaeco apontam que a estrutura criminosa investigada seria ligada à família Razuk. O pai de Neno, Roberto Razuk, cumpre prisão domiciliar, enquanto os irmãos Rafael e Jorge permanecem presos. Segundo o Ministério Público, Roberto Razuk teria sucedido o contraventor Fahd Jamil no comando da exploração do jogo do bicho na região sul de Mato Grosso do Sul.
