Mato Grosso do Sul identifica 39 produtos com potencial para ampliar exportações à UE
Estudo aponta espaço para ampliar vendas de carnes, ovos, biodiesel e ferro gusa com a redução gradual das tarifas no mercado europeu
Mato Grosso do Sul reúne 39 produtos com potencial para ganhar espaço na União Europeia, principalmente nas cadeias de proteína animal, soja, bioenergia, mineração, florestas plantadas e indústria de transformação. O levantamento da ApexBrasil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços considera os possíveis ganhos de competitividade ligados à redução gradual das tarifas de importação.
Dos itens identificados, 21 foram vendidos pelo estado ao bloco europeu no primeiro semestre de 2026, enquanto os outros 18 não tiveram embarques registrados no período. A divisão indica possibilidades tanto para ampliar a presença em mercados já atendidos quanto para iniciar vendas de produtos ainda ausentes da pauta destinada à região.
Entre janeiro e junho de 2026, empresas sul mato grossenses exportaram 90 produtos aos 27 países da União Europeia e faturaram US$ 647,098 milhões. O valor representa crescimento de 2,9% diante dos US$ 628,843 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Proteína animal concentra oportunidades
Aproximadamente metade das 39 oportunidades está relacionada à pecuária, segmento apontado como o principal beneficiado pela abertura comercial. A relação abrange carne bovina, carne de frango, carne suína, ovos, couro, sebo bovino, proteínas, embutidos e outros alimentos processados.
Parte desses produtos já chega ao mercado europeu, como carne bovina congelada e refrigerada, cortes de frango, carnes processadas, proteínas animais, sebo bovino e couros curtidos. A redução das tarifas pode aumentar a competitividade dessas mercadorias e favorecer uma participação maior dos fornecedores do estado.
Outros itens ligados à produção animal ainda não foram enviados à União Europeia no período analisado. Nesse grupo aparecem carne suína congelada, ovos férteis, ovos desidratados, embutidos e preparações de carne, classificados como possibilidades para a abertura de mercados.
O complexo formado por soja, milho e bioenergia também ocupa posição relevante no estudo. Mato Grosso do Sul já vende ao bloco óleo de soja, proteínas vegetais, óleo de milho, açúcar, etanol, ácidos graxos industriais e preparações usadas na alimentação animal.
As oportunidades que ainda podem ser exploradas incluem derivados de milho, sementes, biodiesel, produtos químicos renováveis e insumos industriais associados à bioeconomia. A expectativa apresentada no levantamento está ligada ao corte gradual das tarifas, que pode melhorar as condições de entrada dessas mercadorias no mercado europeu.
Na mineração, o principal produto estadual enviado atualmente à União Europeia é o minério de ferro. O estudo também identifica potencial para mercadorias industrializadas, entre elas ferro gusa e ferro silício manganês, o que abre espaço para exportações com maior valor agregado.
A seleção dos 39 produtos não representa uma lista dos itens que hoje lideram as vendas externas de Mato Grosso do Sul. O critério considera as mercadorias com maior possibilidade de crescimento após a adoção das novas condições comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.
A pauta estadual permanece concentrada em poucos produtos, apesar das oportunidades identificadas em diferentes cadeias. Em 2025, celulose, soja e carne bovina responderam juntas por 69,5% de todas as exportações de Mato Grosso do Sul.
O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026, após mais de duas décadas de negociações. Os dois blocos formam um mercado com cerca de 720 milhões de consumidores e PIB conjunto superior a US$ 22 trilhões.
Dois instrumentos jurídicos foram assinados, sendo um deles o Acordo de Parceria, conhecido como EMPA, que reúne os pilares político, comercial e de cooperação. O outro é o Acordo Provisório de Comércio, chamado de ITA, criado para antecipar a aplicação das normas comerciais.
O ITA passou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026, quando teve início a redução gradual das tarifas de importação e a implantação das demais regras previstas. A vigência definitiva do acordo comercial ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu.
O Acordo de Parceria também precisa passar pelos parlamentos nacionais dos 27 países integrantes da União Europeia. Nos países do Mercosul, será necessário concluir o processo de incorporação das medidas às regras internas.
A aplicação provisória alcança Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia e Suécia. A redução gradual das tarifas já permite que empresas de Mato Grosso do Sul busquem ampliar as vendas atuais e preparar a entrada dos produtos que ainda não foram embarcados ao bloco.

