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Frigoríficos reduzem até 40% dos abates em MS com fim da cota chinesa e escassez de bois

frigorifico 730x480 2 Frigorificos de MS

A redução dos abates deixou de atingir apenas unidades específicas e passou a alcançar praticamente todo o parque frigorífico de Mato Grosso do Sul. Depois da paralisação temporária da JBS, em Campo Grande, e da Iguatemi Beef, outras empresas reduziram a produção entre 35% e 40%, movimento atribuído ao encerramento da cota anual chinesa de importação e à baixa oferta de animais prontos para o abate, conforme o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems).

Para o presidente do Sicadems, Régis Luís Comarella, o setor enfrenta um momento que exige cautela. Segundo ele, a conclusão da cota anual da China interrompeu parte da demanda externa, enquanto o mercado doméstico não consegue absorver o custo atual da matéria-prima.

“O setor está passando um momento complicado. É um momento que exige cautela e estratégia. Tivemos uma redução de abates porque a cota da China completou. Agora só volta em janeiro.”

Oferta restrita sustenta preços e limita escalas

Mesmo com menos animais sendo abatidos, as escalas de compra permanecem curtas. Na avaliação de Comarella, isso demonstra que a dificuldade não está apenas na demanda, mas principalmente na disponibilidade de bois terminados.

Ele afirma que ainda não é possível saber se os pecuaristas estão retendo animais à espera de preços melhores ou se a escassez de oferta é efetiva. De qualquer forma, o mercado segue restrito e os frigoríficos encontram dificuldade para alongar as escalas.

A arroba continua negociada entre R$ 330 e R$ 335, valor que, segundo o dirigente, não encontra sustentação no consumo interno. Além disso, embora os Estados Unidos não tenham imposto tarifa adicional sobre a carne brasileira, os preços pagos pelos importadores norte-americanos continuam inferiores aos praticados no mercado nacional.

Mercado aposta em recuperação gradual

A leitura do pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), converge com a avaliação da indústria ao indicar que o mercado atravessa uma fase de transição. Para ele, o desafio atual não é ampliar a produção de carne, mas direcionar parte desse volume a mercados capazes de compensar a redução temporária das compras chinesas.

Segundo o pesquisador, a pressão sobre a arroba tende a permanecer até meados de setembro. A partir desse período, a demanda deve crescer gradualmente porque os frigoríficos precisarão iniciar a compra de animais destinados aos embarques da próxima cota chinesa, prevista para janeiro de 2027.

Essa movimentação ocorre com antecedência devido ao tempo necessário para abate, processamento, certificação sanitária e transporte da carne até a Ásia. O mercado futuro já reflete essa expectativa, com contratos indicando arroba acima de R$ 360 no encerramento do ano e chegando a R$ 369 nos vencimentos de janeiro.

Os fundamentos internacionais também reforçam essa perspectiva. Thiago Bernardino de Carvalho destaca que os Estados Unidos vivem o menor rebanho bovino desde a década de 1960, enquanto Canadá e Austrália também registram redução da produção. Ao mesmo tempo, Egito, Malásia, Filipinas e Indonésia ampliam as compras da carne brasileira, e Japão e Coreia do Sul seguem em negociação para abertura de seus mercados ao produto nacional.

Ajustes nas plantas acompanham cenário

A retração do mercado levou diferentes frigoríficos a adaptar suas operações. Além das paralisações temporárias da JBS e da Iguatemi Beef, a Naturafrig reduziu o ritmo dos abates, a Boibras concedeu férias coletivas a cerca de 200 funcionários e a Frigosul passou a operar parcialmente.

Na avaliação do Sicadems, o comportamento da indústria deverá permanecer cauteloso até que as compras voltadas às exportações ganhem força novamente. Comarella afirma que não espera valorização imediata da arroba e avalia que uma recuperação, caso ocorra, deverá acontecer apenas mais adiante.

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andorinha Frigorificos de MS

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