Tarifaço é criticado por Lula em artigo publicado no Washington Post
O jornal norte-americano The Washington Post publicou neste domingo (26) um artigo assinado por Luiz Inácio Lula da Silva em que o presidente questiona as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, divulgando o texto também em português nas redes sociais. “o Brasil não será derrotado com base em mentiras” A publicação chega após a implementação de tarifas contra produtos brasileiros, movimento que vem sendo alvo de críticas pelo governo brasileiro desde abril de 2025.
Medidas e setores atingidos
No dia 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil. Foram taxados exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados. O USTR justificou as taxas apontando práticas brasileiras que, segundo o órgão, oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.
Rebate e argumentos de Lula
Ao responder às razões invocadas pelos Estados Unidos, o presidente afirmou que as tarifas são equivocadas e prejudiciais para as duas partes. “Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano” Lula sustentou que o encarecimento de insumos e bens afetará empresas e consumidores nos dois países.
O artigo também retoma a posição comercial brasileira e projeta mudanças nas cadeias produtivas caso as sobretaxas se mantenham. “No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros” Com isso, o governo brasileiro sinaliza busca por alternativas comerciais globais para mitigar o impacto das medidas.
No texto, Lula atribui caráter ideológico à decisão e alerta para tentativas de interferir no cenário político interno do Brasil neste ano. Ele cita movimentações recentes da diplomacia estadunidense e menciona declarações de Marco Rubio, identificado no artigo como secretário de Estado, que no início de junho excluiu o Brasil do rol de países amigáveis aos EUA na América Latina. “Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras” O trecho reforça a crítica de que ações externas estariam ultrapassando o âmbito comercial.
Além de rebater as tarifas, o presidente defendeu políticas brasileiras alvo de menções no relacionamento recente com os Estados Unidos, citando combate ao desmatamento, legislação sobre crimes nas redes sociais e o sistema de pagamentos Pix. “Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la” Lula finalizou mantendo, conforme o texto, a disposição do Brasil para o diálogo bilateral.

