Neno Razuk entra na lista vermelha da Interpol e eleva para oito procurados de MS
Com a inclusão do ex-deputado Neno Razuk na difusão vermelha da Interpol Mato Grosso do Sul passa a ter oito procurados em 196 países atendendo pedido do MPMS
A inclusão do ex-deputado estadual Neno Razuk na lista de difusão vermelha da Interpol foi autorizada a pedido do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e coloca o Estado com oito pessoas procuradas em 196 países. A prisão preventiva contra Neno foi decretada em julho de 2026 no âmbito das investigações sobre o jogo do bicho e ele está foragido desde que o mandado foi expedido, sem informações públicas sobre o paradeiro ou confirmação de saída do Brasil.
O caso integra os desdobramentos da Operação Successione, iniciada em dezembro de 2023 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPMS para desarticular um grupo que explorava o jogo do bicho em Campo Grande. A investigação teve origem em assaltos a malotes atribuídos a grupos rivais, que geraram três boletins de ocorrência e em dois deles vítimas reconheceram um sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul como autor.
Na primeira fase, 10 pessoas foram alvo, entre elas o então deputado estadual. Neno negou participação no esquema. “Tenho certeza de que não tenho nenhum envolvimento com essa atividade. Acordei com essa surpresa. Tenho certeza de que, quando essa investigação acabar, vai ser mostrado que não tenho nenhum envolvimento”.
Operação Successione e fases da investigação
Para o Gaeco, a organização usava violência para dominar o mercado ilegal mesmo após a apreensão de 700 máquinas em um suposto QG no bairro Monte Castelo, em outubro de 2023. Segundo o Ministério Público, o grupo contava com policiais militares da reserva e um ex-PM que empregavam a condição e o porte de arma para impor o comando do jogo em Campo Grande.
Na segunda fase, em dezembro de 2023, foram cumpridas 12 prisões preventivas e realizadas quatro buscas e apreensões. A terceira fase, em janeiro de 2024, resultou em duas prisões preventivas e uma busca, com a prisão de um investigado que se passava pelo governador e pelo secretário de Justiça para aplicar golpes. Em novembro de 2025, a quarta fase somou 20 prisões preventivas e 27 buscas em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de alvos no Paraná, Goiás e no Rio Grande do Sul.
Nessa última etapa, além de Neno, também foram alvo o pai Roberto Razuk e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto. Os promotores apontam Neno como líder da organização e identificam Roberto Razuk como antigo chefe do jogo do bicho na região sul do Estado. Conforme a investigação, até a década de 1990 o comando estadual passou por Fahd Jamil, que teria dividido a operação deixando Campo Grande sob Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã sob Roberto Razuk, e mesmo afastado manteve influência sobre a atividade.

